domingo, 20 de agosto de 2017

Os incêndios do Fundão

Estive de férias. Se foram boas? Sim, foram.

Só não foram melhores, porque o meu coração estava na minha terra, no meu Fundão, fustigado por incêndios à proporção de uma calamidade.

Vivenciar, ao longe, a destruição da nossa serra da Gardunha, consumida por chamas infernais, foi muito doloroso.

A nossa Gardunha antes

A Gardunha fustigada pelas chamas numa extensão incalculável.

Uma dor de alma

Um paraíso - Natura Glamping

As chamas que destruíram toda a área envolvente do Natura Glamping, tendo ardido um dos Globos e sendo destruída toda a paisagem que ofereciam.

O histórico colégio jesuíta de São Fiel, onde estudou Egas Moniz, primeiro prémio Nobel Português.

O colégio em chamas.


 Estive constantemente em contacto com pessoas que me iam pondo a par, vi filmagens, fotos, depoimentos. Só quem passou, sabe a dor...o medo...o pânico!

Cheguei ontem ao Fundão e pude aperceber-me da dimensão das consequências. Uma vasta floresta reduzida a cinzas. O que antes era tão bonito, verdejante, inspirador, está reduzido a um preto de morte. Só tive vontade de chorar e gritar.

Fica uma revolta por quem é capaz de incendiar por prazer, por interesse ou seja lá por que motivação for, pondo em risco tudo. Responsáveis por:
- localidades que arderam em cerca de 90% da sua área;
- aldeias que deixaram de existir;
-pessoas que ficaram sem nada, sem as suas casas, os seus campos, as suas fontes de rendimento;
- animais mortos e/ou feridos;
- pessoas que não abandonaram as suas casas, apesar de lhes ter sido pedido que se afastassem, a lutar pelos seus bens, que levaram uma vida a conseguir;
- pessoas que ficaram sem alimento para os seus animais e mesmo sem os animais;
- pessoas que morreram.

O rosto do desalento e da dor.


Só posso sentir-me de luto.

Chego ao Fundão e vejo, mais uma vez, o medo, desta feita na Covilhã, a debater-se com o mesmo suplício, o mesmo terror. Quando acabará este inferno? Não há palavras suficientes para descrever a dor, o medo e o pânico que se tem vivido.
A nossa Serra da Estrela antes

O inferno na Estrela

Ficaremos aqui a tentar reerguer-nos dos destroços, num local votado à indiferença e ao abandono, que muitos não sabem existir...
Reerguer-nos-emos das chamas qual Fénix renascida, mas não será nada fácil. Um longo caminho pela frente, tais as marcas que foram infligidas a estas gentes de coração enlutado,  sem forças, numa luta inglória
(imagens pesquisadas no Google) 

                                                                                                                                          Célia Gil


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Amo-te


(imagem daqui)

Amo-te porque te quero,
porque ainda te acaricio
com a doçura dos meus olhos.
Amo-te porque te desculpo
falhas que só o amor sabe ignorar.
Amo-te porque te respeito,
te admiro e te desejo.
Amo-te porque me amas,
pois, por mais que te amasse,
nada deixaria que mendigasse
migalhas do teu amor.
Amo o meu amor próprio,
aquele que te sabe amar.
aquele que te compreende,
aquele que te sabe desejar,
aquele que ainda te surpreende.
Amo-te como te sei amar!
                                           Célia Gil

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Verão

O verão é a minha estação preferida, por razões diferentes, a par da primavera.

Gosto do verão, da acalmia dos dias, da tranquilidade, de poder descansar para retemperar energias, que serão tão necessárias para o novo ano de trabalho que aí vem!

Gosto do sol, da piscina, do mar e das leituras que tenho tempo para fazer.

Gosto de poder dormir sem ter de me preocupar com as horas. 

Gosto até de ter tempo para organizar tudo, limpar e dar novo brilho e cores ao lar.

Gosto da fruta madura, sumarenta a sorrir-nos nas árvores, dos gelados, dos refrescos.

Gosto dos petiscos, de ser dia até mais tarde, de aproveitar melhor cada momento do dia.

Gosto de passear, de estar com os meus filhos e o meu mais que tudo.

Gosto definitivamente do verão. Tempo de:
Ler, dar um mergulho, beber um refresco ou até um gin.


Comer uma fruta sumarenta e fresquinha


Brincar com as pedras da praia

São realmente coisas boas!

Aproveito para deixar uma proposta de leitura, que nos faz tão bem e nos enche a alma:



Com a morte dos seus pais, dois famosos ambientalistas, num acidente de viação, Kara Whittenbrook, que crescera entre a selva amazónica e os mais prestigiados colégios da elite americana, é herdeira de uma vasta fortuna e de um segredo que mudará para sempre a sua vida e a fará procurar a sua essência. Ao descobrir em documentos guardados pelos pais que foi adotada, decide partir com o intuito de conhecer os seus pais biológicos. Um incidente leva-a ao rancho onde eles trabalham. São, segundo o rancheiro que lhes dá emprego (Ben), gente singular (Mac e Lily). Com o objetivo de conhecê-los e descobrir os motivos que os levaram a dá-la para adoção, aceita ficar a trabalhar no rancho, onde acaba por se sentir cada vez mais próxima de toda a gente singular que ali trabalha. São pessoas com necessidades especiais e que Bem empregou, por acreditar na integração, talvez por ter um irmão (Joey) com Síndrome de Down, que nos cativam a cada parágrafo da história. Puros, genuínos, alegres e fascinantes. São personagens que sentimos vontade de abraçar, que nos levam a chorar quando nos tocam com a sua ingenuidade tão sábia e tão pura. Vemo-nos a desejar que sejam felizes e protegidos para sempre.
Kara torna-se para eles no seu amuleto da sorte. Para os ver felizes, acaba por treinar uma égua, à qual deram o nome de Estrela, que tinha sido resgatada da morte, considerada desobediente e violenta. Kara descobre que a felicidade não está apenas no que os livros lhe ensinaram. As coisas mais simples podem constituir um poço de sabedoria, para além de transmitem valores tão importantes como a amizade e a tolerância.
Mas como poderá Kara confessar a Ben que não é Karen, como se apresentara no rancho, que é milionária e que é filha de Mac e Lily, e que está irremediavelmente apaixonada por ele?

Deborah Smith é uma das autoras americanas mais lidas em todo o mundo: a sua obra já vendeu mais de três milhões de exemplares. Nomeada para diversos prémios importantes, como o RITA Award da Romance Writers of America e o Best Contemporary Fiction da Romance Reviews Today, foi distinguida com o Prémio de Carreira atribuído pela Romantic Times Magazine. No catálogo da Porto Editora figuram os seus romances A Doçura da Chuva Segredos do Passado e Milagre , que obtiveram assinalável êxito junto dos leitores portugueses.

Bom verão e boas leituras!
                                     
                                           Célia Gil

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Vazios



Chorei, quando te vi partir,
por mim, por ti, por nós.
Chorei a vida por partilhar,
a história por contar,
o sorriso por sorrir.

Chorei, quando senti o vazio
que deixaste por aqui.
Chorei ao sentir o chão frio
nas pisadas que te segui.

Chorei, quando a porta se fechou
para sempre, eternamente.
Chorei porque tudo ficou diferente
e não me reconheço no que ficou.

Chorei a tua, a minha tristeza,
por ti, por mim, por nós,
pela história interrompida.
Chorei porque ficámos sós,
com uma única certeza,

a de que a porta se fechou
irremediavelmente se encerrou
para sempre,
eternamente.

                                Célia Gil
                              (27/07/2017)





segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ensinar a ler é ensinar a sonhar



O poder da leitura é inigualável. 

A leitura despoleta no leitor o desejo de mais leituras, ficando este ansioso por empreender a leitura de um novo livro mal tenha terminado outro, isto caso não esteja a ler vários livros ao mesmo tempo. Este leitor assíduo é aquele que sente um vazio entre uma leitura e outra. Um bom leitor, ainda que difícil de definir, será, talvez, aquele que consegue, através da leitura, manter-se informado, instruir-se gradualmente, obter uma crescente capacidade argumentativa, ganhar um poder ativo e interventivo enquanto cidadão, mas, ao mesmo tempo, nunca perdendo a capacidade de sonhar, de se reinventar e de se encontrar e reencontrar no prazer da leitura. 

É preciso empreender, acreditando, um trajeto para os mais jovens que os leve à perceção da importância da leitura, mas também da magia que tem ao permitir ao leitor continuar sempre a sonhar. Nesse sentido, torna-se necessário facultar-lhes a capacidade interpretativa. A leitura pressupõe a compreensão de signos e a produção de sentidos, que faculta uma interação entre o leitor e o texto. 

O sonho, o devaneio, a criatividade, a sensibilidade e o imaginário, vêm, quanto a mim, complementar o conhecimento, a criação e a transformação. É ao perspetivar a realidade de forma individual, que o leitor cria novas realidades através da imaginação, ideais que vêm dar novo sentido e cor a realidades insatisfatoriamente gastas. 

E a motivação para a leitura nos mais novos, tem necessariamente de passar por aí, correndo o risco de os desmotivar logo, à partida, para a descoberta da leitura, que deve ser vista precisamente como um universo mágico, irreal, que permite sucessivas recriações do mundo, onde tudo é possível, onde tudo pode acontecer. É essa magia criada na motivação para a leitura que vai prender a criança a esse mundo imaginário, ficcional, que lhe permite viajar por onde nunca viajou, conhecer novos espaços, confrontar-se com uma nova noção do tempo. 
                                                                                                                   in Gil, Célia (2016). Dissertação de Mestrado.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Dias...

Há dias de inverno,
em que a chuva e o vento,
invadem as nossas vidas.
E com profundo lamento,
deixam as almas perdidas,
as forças entorpecidas.
Um frio por fora e por dentro,
uma incapacidade de movimento...

Há dias simplesmente cinzentos,
vazios de movimentos,
de um nada querer por fora
de um nada crer por dentro.
São dias em que me ausento
de mim, em mim, por mim.
Em que nada faz sentido,
e cada gesto que faça
é mais um gesto perdido,
que não larga nem enlaça.

Há dias de um sol intenso,
que brilham por fora
e preenchem por dentro.
São dias de movimento,
de um querer imenso,
de um crer em pensamento.
Dias de amor,
dias de paz,
dias de ficar,
em que tudo se faz,
num torpor
de acreditar!
                  Célia Gil
(imagem daqui)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Não ao abandono dos animais!

(foto daqui)

      Não podia deixar de manifestar o meu pesar pelas políticas hoteleiras que promovem o abandono de animais ao não permitirem que estes possam ficar hospedados com os seus donos. 
     O Dragão é um cão que está connosco vai fazer a 14 de agosto 13 anos. Está velhinho, tem um problema cardíaco e não pode ser deixado com ninguém, pois fica nervoso na nossa ausência. 
    Este fim de semana fomos à Figueira da Foz e foi neste momento que me apercebi que o único hotel a aceitar animais (com uma taxa acrescida de 15 euros) foi o hotel Ibis. É incrível, um único hotel. Na Figueira e arredores (Quiaios, etc) não aceitaram o meu cãozinho, que precisa que lhe demos medicação, atenção e carinho e que está habituado a estar sempre connosco. Fomos para o Ibis. Pagámos mais. Mas não abandonámos o Dragão. E reforço que os hotéis promovem o abandono de animais, ao não permitirem a sua presença!!!!!
    O meu cão é limpinho, não larga pelo, porta-se melhor do que muitas pessoas e não deixa nada sujo, não faz barulho, não destrói, não bebe, não fica na conversa até altas horas, não leva toalhas nem lençóis na mala. 
     Não estará na hora de os hotéis se modernizarem e  abrirem as mentes?

     Onde estão os princípios, a ética, a moral? 

    NÃO ao maltrato e ao abandono dos animais!
                                                                                       Célia Gil

sexta-feira, 7 de julho de 2017

No meu peito há um ninho

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               (imagem pesquisada no google)


Não pode ser,
não posso aceitar
que a vida passe assim,
sem pestanejar,
sem que se chegue a hora,
pois nunca é a hora
para um virar de página,
numa história que nunca chega ao fim.
Não quero voltar a sentir
a dor da despedida;
a solidão a espreitar pela porta,
que deixarás entreaberta,
a dominar as nossas vidas;
o silêncio a preencher as paredes
de encontro à nossa alma;
o vazio dos dias
a esvaziar-nos as mentes
e a roubar-nos as forças.
Não quero,
não posso querer,
ainda que saiba que é assim,
ainda que saiba que os pássaros voam,
ainda que saiba...
No meu peito há um ninho 
tão vosso,
tão nosso,
que não posso...
                              (07/07/2017)
                                 Célia Gil

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Os livros que devoraram o meu pai

Cruz, Afonso (2010). Os Livros que Devoraram o Meu Pai. Alfragide: Caminho.

Integrado no Plano Nacional de Leitura, na categoria de Leitura Autónoma (3.º Ciclo), Os Livros que Devoraram o Meu Pai é um livro imperdível e que pode ser lido por várias gerações.
Com um sentido de humor notório e uma criatividade linguística que prendem o leitor nas primeiras linhas, é impossível não se envolver pelo jovem Elias Bonfim, que nos conduz em aventuras imperdíveis. Quando fez doze anos, Bonfim foi presenteado com a chave do sótão, onde estavam os livros do seu pai, que desaparecera por um livro adentro, A Ilha do Dr. Moreau. O pai deixara instruções precisas, uma verdade revelada pela avó, cujas palavras “vinham cheias de cabelos brancos”, na sua voz um pouco “amarrotada”. O pai não fora apenas um colecionador, mas um leitor voraz, que acaba por incutir no filho o interesse pela leitura.
Como seria este sótão? Que livro começou Bonfim por ler? Afinal, até que ponto a personagem do livro A Ilha do Dr. Moreau, Edward Prendick, é real? E quem seria o Dr. Zirkov, “que usava uns olhos pequeninos escondidos atrás duns óculos” e que também era mencionado no enigmático livro? Como terá decorrido o encontro de Bonfim com o Dr. Zirkov? Muitas são as questões que se vão colocando ao leitor à medida que avança na leitura, cada vez mais absorvido, cada vez mais devorado pelo livro.
E quando, a par destas aventuras emocionantes, há uma Beatriz na escola, cujos cabelos negros “deslizavam pelos ombros, como o cheiro do café desliza pela chávena”, a quem Bonfim não resiste, tal como o Bombo, o jovem das histórias chinesas.
Não posso terminar sem apresentar um excerto cativante:
«Uma biblioteca é um labirinto (…) Porque nós somos feitos de histórias, não é de a-dê-enes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias (…) Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca.»
Usa-se muito a expressão “devorar um livro” para marcar aquelas obras que queremos ler até ao fim sem parar. Foi muito divertido pensar na hipótese inversa, porque também o livro pode devorar o leitor, prendendo-o e impedindo-o de deixar com facilidade a história por que foi envolvido.


Além de escritor, Afonso Cruz é também ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb. Nasceu em 1971, na Figueira da Foz, e viria a frequentar mais tarde a Escola António Arroio, em Lisboa, e a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, assim como o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de cinquenta países de todo o mundo. Já conquistou vários prémios: Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010, Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009, Prémio da União Europeia para a Literatura 2012, Prémio Autores 2011 SPA/RTP; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011, Lista de Honra do IBBY – Internacional Board on Books for Young People, Prémio Ler/Booktailors – Melhor Ilustração Original, Melhor Livro do Ano da Time Out 2012 e foi finalista dos prémios Fernando Namora e Grande Prémio de Romance e Novela APE e conquistou o Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Clausura

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(imagem do Google)

Vivo uma vida que não é minha,
enclausurada numa memória
que me algema ao passado.
Bem lá atrás do cristalino dos meus olhos
há um brilho por brilhar.
Por detrás de lábios finos comprimidos
há um sorriso a querer rasgar.
O cadeado com que prenderam
no meu peito as emoções felizes,
perdeu a chave da libertação.
Ficou a mágoa e o vazio
a corroer este pobre coração.

Célia Gil
(21/06/2017)

sábado, 17 de junho de 2017

A casa morreu


Há um dia em que o cansaço
descansa em todos os cantos da casa.
As formas perdem forma
e, como fantasmas,
deslizam roupas
do cabide ao chão.
Formas informes
de tudo o que foi perdendo vida
nos cansados recantos
de outros encantos.
A força, a coragem, a razão de existir
esconderam-se em bafientos roupeiros,
velhas e desgastadas...
O vestido já não dança
no salão de baile,
em toda a sua imponência.
Os tachos, que outrora exalavam aromas
de amor com sabor a vida,
fecham-se nos armários escuros
do esquecimento...
Da caleira da casa
escorre um fio de humidade
no percurso de um verde
musgo do abandono.
Como uma lágrima
em estátua enegrecida
pelo tempo.
A casa morreu
no sentimento que perdeu.
                              Célia Gil
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(imagem pesquisada no Google)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Pedaços de mim

Escrevo porque existe aquele instante
de ideias a fervilhar na mente,
ainda que descabidas ou de índole secante,
dispostas a libertar qualquer corrente
que as prenda a um único ser.
Egoísmo atroz guardá-las só para mim,
quero servir uma farta mesa de palavras,
num manjar que, mesmo sem agradar,
possa deixar gravado em grafemas
o que o coração teima esconder.
Partilhar é um ato de entrega,
e eu entrego os meus poemas
assim, de forma simples,
com humildade.
Na secreta esperança
de serem lidos
e de espalharem pétalas sentidas,
mesmo em quem descreia que cada pétala
é uma mão no ombro,
um beijo na face,
um aperto de mão,
um abraço sentido!
               Célia Gil

                           
(imagem pesquisada no Google)
                

domingo, 11 de junho de 2017

Baile de finalistas

      Depois de um fim de semana atribulado - o meu filho mais novo teve o seu baile de finalistas de 12.º ano - aproveito para mostrar uma imagem da sala onde se realizou o jantar. Estava linda, parecia mesmo uma sala encantada, onde entraram os príncipes e as princesas lindíssimos. Foi o dia deles. Espero que todos consigam alcançar os seus objetivos e sonhos! Mas que não percam nunca a humildade e todos os valores que constaram da sua educação.



domingo, 4 de junho de 2017

Ali, no mundo dos sonhos

Hoje é o princípio da vida que eu quero,
de virar costas às falsas verdades,
de ignorar vozes que tudo sabem
e seguir, pelo meu próprio pé,
rumo ao futuro que eu quero.
De mim depende o que me espera
ao dobrar da esquina,
ultrapassados os obstáculos,
em direção à mudança, ali tão perto.
Em sonhos que são nuvens cheias de luz,
de entre as quais chovem raios de sol.
Ali, onde  o que sou
é apenas o que quero,
o que me traz a vida à tona...
Certezas ladeadas de rosas,
angústias embaladas pela música,
adormecidos medos, a ninar, felizes.
Ali, onde se estende uma toalha,
na mesa do passado,
na fartura do presente,
no aconchego dos colos perdidos,
nos risos a entrar pelo coração,
que quase rebenta de alegria,
numa existência que se quer
num "viveram felizes para sempre",
em histórias cor de rosa
a flutuar na eternidade azul do céu.
Ali, onde os sonhos são naus
ansiando as águas por navegar.
Assim, ALI, onde os sonhos são possíveis!
                                                        Célia Gil
Resultado de imagem para sonho
(imagem pesquisada no google)

terça-feira, 30 de maio de 2017

Ego na penumbra



(imagem pesquisada no Google)


Já nem sombra sou do que fui,
perdi-me na penumbra do meu ser,
sou alguém que nem sombra possui
e não se encontra num novo alvorecer.

Já não faço sombra a ninguém,
não me temam, sou o falso herói
sem história, essência e vintém,
já nem o ego me dói.

Resto de um rasto que se apagou
na estrada por onde nunca se andou,
nem a fímbria de um rio obscuro,
nem musgo a crescer num muro.

Fica o nada do que fui um dia,
um eu à procura do seu ego,
um eu nitidamente cego
a viver uma existência vazia.


                                        Célia Gil

domingo, 28 de maio de 2017

ironias do des(a)tino

(imagem do Google)


Quem os sonhos me sugou,
me deitou a loucura por terra?
Quem me levou a primavera,
me esqueceu e me abandonou?

Quem me esgotou toda a energia
entre sucessivas deceções?
Me fez errar entre falsas razões
no poço fundo da melancolia?

Quem me roubou a confiança,
entre derrotas consecutivas?
Me arrancou pessoas queridas
macerando os grãos de esperança?

Ai de quem,
ai de quem
a vida me escondeu
num labirinto, perdeu
a chave do caminho
e trocou as voltas ao destino!

                                     Célia Gil

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Bolo de chocolate

Para quem gosta de um bom bolinho de chocolate, aqui vai uma receita de um que fica divinal:

1.º Misture os ingredientes seguintes:
- 2 chávenas de farinha
- 1 colher de fermento em pó
- 1 chávena e meia de açúcar
- 1 chávena de chocolate em pó

2.º Junte ao preparado anterior e bata bem:
- 4/5 ovos (separe as claras das gemas, junte as gemas, bata as claras em castelo e reserve)
- 1 chávena de leite
- 1 pacote de natas
- 1 chávena de óleo

3.º Bata bem e termine envolvendo as claras que bateu em castelo.

4.º Numa forma, barrada com manteiga, coloque o preparado, que vai ao forno a 180 graus, por cerca de 50 minutos (verifique com um pau de espetada se está cozido).

5.º Faça a calda, enquanto o bolo coze, juntando os ingredientes e deixando apenas no fogão até ferver:
- 2 colheres de manteiga
- 7 colheres de sopa de açúcar
- 7 colheres de sopa de leite
- 7 colheres de chocolate em pó

6.º Coloque em cima do bolo, depois deste cozido e deixe ficar no forno, já desligado, durante cerca de uma hora.

Depois delicie a família, que vai adorar.

Como não tinha foto, retirei da Internet aquela que mais se parece com o resultado deste bolo:


Bom apetite!



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Mendigo



Qual vagabundo à deriva
Perdido nas cinzas do que foi,
Sinto-me a alma esquecida
Tão esquecida que já nem dói.

E no vazio das emoções,
Vou deixando apenas de ser.
Larguei a mão às sensações
Até de mim mesmo me perder.

O meu coração já não rima
Com paixão, emoção, comoção...
Sou mendigo que sobe rua acima
Sem levantar os sonhos do chão.

                                              Célia Gil
(imagem pesquisada em https://geracaojosac.files.wordpress.com/2011/09/mendigo-01.jpg)

domingo, 14 de maio de 2017

Obrigada Salvador!


É com orgulho imenso que vejo Portugal ganhar,este ano, o Eurovisão, Dois irmãos a trabalhar em equipa - compositora e cantor. Um poema emocionante e uma interpretação sentida. Deixo o poema:

Amar pelos dois

Se um dia alguém
Perguntar por mim
Diz que vivi
Para te amar

Antes de ti
Só existi
Cansado e sem nada p’ra dar
Meu bem
Ouve as minhas preces
Peço que regresses
Que me voltes a querer

Eu sei
Que não se ama sozinho
Talvez devagarinho
Possas voltar a aprender

Se o teu coração
Não quiser ceder
Não sentir paixão
Não quiser sofrer

Sem fazer planos
Do que virá depois
O meu coração
Pode amar pelos dois.

Luísa Sobral e Salvador Sobral


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Pai, um amor para sempre

(imagem do Google)

Um conto que é uma reflexão sobre a efemeridade da vida, motivo por que devemos cuidar ainda mais e melhor os que nos são mais queridos.

Pai, um amor para sempre

     Cresceu. Como era suposto. Porque o tempo não perdoa e passa inexoravelmente sem questionar ninguém, sem deixar ninguém a beber memórias no passado. Passa, mas não o faz inocentemente, e vai deixando um lastro de dor que teima em acompanhar até ao presente. Quando teima...
     Agora caminha ao lado do pai que, de perfil, lhe parece a sua imagem quando se olha de lado no espelho para se barbear com perfeição. Dá-lhe conselhos. Ao longo dos tempos, inverteram-se os papéis. Inverteu-se tudo, até a vida, que lhe parece estar de cabeça para baixo.
     O olhar do pai foi sugado pelo tempo, que lhe levou o pensamento. O seu cérebro parece hoje uma caixa branca imaculada, tão branca, vazia e espaçosa que dói...
     E o filho, ante uma ou outra palmadinha nas costas, continua a contar-lhe histórias, histórias que não foram suas. Histórias do pai que recria como se fossem suas, à espera de despertar através delas um sorriso, um esgar de emoção nos lábios contraídos, uma lágrima, uma comoção no rosto tão sem expressão!
     Mas o que vê é o silêncio, é um mover como que comandado de membros um pouco desarticulados, antes tão ágeis, agora tão frágeis. Deixou de ser. Limita-se a um existir que já não domina.
     Sem saber quem o leva pela mão, a um passeio onde não escolheu ir, que força as pernas que apenas querem descansar das histórias... Tem os ouvidos a rebentar de cansaço, apesar de as sensações auditivas já pouco ou nada o incomodarem.
     Instintivamente senta-se numa pedra, firma a bengala e recusa-se a prosseguir por histórias tão sinuosas, que já nada lhe dizem e que soam ao vazio do seu novo quarto de paredes brancas. São histórias que cansam, que maçam, que o levam a bater vezes sem conta com a bengala na terra árida. E cospe, cospe no chão que foi seu, mas que já nada lhe diz.
     E a lágrima que o filho ansiou ver o pai verter, é na sua face que cai e que deixa correr, sem se preocupar, pois o pai não a verá, não a sentirá, não voltará a apiedar-se dos sentimentos que o filho lhe possa confessar ou transmitir, nem sequer com os estados de alma que antes tão bem conseguia inferir. E é o filho que tem um esgar de emoção, quando relembra na bengala a enxada que tantas vezes batalhou aqueles solos áridos. Terrenos a perder de vista, sempre limpos de mato e repletos de vinhas que cuidava de forma extremosa.
     E é o filho que sorri de complacência e de resignação, porque sabe que nada mais pode fazer.
     Com toda a calma a que se habituou com o tempo, volta a pegar no pai pela mão, a mão daquele que já sem ser é e será sempre o seu pai. Beija-a e sussurra-lhe ao ouvido “voltemos para casa!”
     E regressam, num silêncio que se impõe e que é a única cumplicidade que lhes resta.
                                                                                                                                                    Célia Gil



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Primavera

Por aqui a primavera, ainda que instável, vai-nos presenteando com belas flores, cerejas, morangos, entre tantas outras belezas e delícias desta estação. 

 Rosas de várias cores e espécie, aveludadas, coloridas, encantadoras...
Pequenos apontamentos em recantos...
                                    

 Cerejas a amadurecer na árvore até ficarem bem docinhas!

 Para a prova, as primeiras!

 Morangueiros e flores coloridas e diversas!
Tudo a encantar a alma, a despertar emoções adormecidas pelo inverno desgastante.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Silêncio

                                          (imagem pesquisada no Google)

Temos tanto para ouvir
no silêncio que nos abraça!
Temos tanto para aprender
com o que não nos é ensinado...
Porque as palavras estão gastas,
de demasiado repetidas,
demasiado gritadas,
demasiado inflamadas de razão,
demasiado capazes de julgar,
de opinar, de esclarecer, de maltratar...
Já não encantam os tímpanos!
As palavras foram deturpadas e são agora
apenas vulgares, ocas, vazias...
Resta-me escutar o silêncio
que tem o último facho de luz
onde aquecemos memórias,
recuperamos forças ténues
e bebemos lições,
se as quisermos ouvir...

Apoderamo-nos das palavras
como de tudo o que tornamos nosso.
Mas nada é nosso.
Nosso, só o silêncio,
onde reside a essência do que
supomos ser a nossa existência.
Uma réstia de nada,
entre o princípio e o fim,
num eco de palavras quase inaudível
levadas cada vez mais pelo vento...
                                                    Célia Gil

sábado, 6 de maio de 2017

(imagem do Google)

Grito de uma cria solitária

Não sei, simplesmente não sei,
ser simplesmente mãe.
Sinto tanto a falta de ser filha!
E continuo a recordar-te com tanta saudade,
MÃE!
Sinto na ausência do teu colo
a minha ansiedade mais profunda;
na ausência da tua voz,
o silêncio que me martiriza;
na falta de conselhos e apoio,
as calinadas que dou na vida;
Ah, pudesse eu continuar a ser filha
para me sentir completa!
O vazio é um ninho que dói demais,
onde a cria triste e solitária
piará pela mãe até que esta a ensine a voar.
O meu voo é rasteiro,
não me deste tempo para aprender
a voar com a tua segurança.
Ser filha é não ser mãe sozinha…
No ninho, guardo apenas as nossas histórias,
neste ninho, que se vai desfazendo,
rio e choro na minha solidão de recordações.
O Dia da Mãe tornou-se no buraco escuro
da memória do dia em que partiste.
É tão bom ser Mãe, mas …
Pudesse eu voltar a ser filha!
E era tão bom ser tua filha!
                                Célia Gil