terça-feira, 18 de março de 2014

Dias cinzentos


Há dias em que a luz
não brilha dentro de nós,
em que como a avestruz
só queremos ficar a sós,
fugir de tudo, ficar escondido,
sem saber bem o motivo,
em que tudo o que nos é dito
nos soa a adversativo.
Dias maus que chegam,
vêm, instalam-se em nós.
dias que nos desassossegam
mas que impõem a sua voz.
Têm grades invisíveis,
que nos impedem de nos mover,
nos tornam mais sensíveis
e com medo de sofrer.
O medo agiganta-se,
em nós o receio se impõe,
o dia acinzenta-se
e ao sol se sobrepõe.
E quando queremos sair,
estamos amarrados à tristeza,
deixamos até de sorrir,
presos à nossa fraqueza.
Precisamos de alguém
que nos liberte, nos dê atitude,
nos mostre de novo a amplitude
do brilho que o sol tem.

                             Célia Gil