segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Recordações indistintas



                         (imagem do google)

Nas brumas da memória
dançam esqueletos de histórias antigas.
Cruzam-se fisionomias indistintas
traçadas a carvão em recordações de ardósia.
Ouço o seu canto,
longínquo canto perdido nas recordações,
vagueando sem ilusões
a ecoar no meu pranto.
                                               Célia Gil



sábado, 17 de novembro de 2012

Para sempre, meu amor!



(imagem do google)

Posso fechar os olhos,
perder-me,
adormecer,
esquecer-me quem sou,
que vou reconhecer-te sempre.
O teu cheiro,
os teus dedos na minha face,
a tua pele na minha,
a tua voz sussurrante
no meu ouvido,
o teu carinho…

Posso estar a entrar
no meu último sono,
que ainda abrirei
uma última vez os olhos
só para te ver,
te absorver
e te levar comigo.

E quando me cerrares as pálpebras,
beija-as mais uma vez,
para sentir o calor dos teus lábios,
na minha fria tez.
Não me dês agora a nossa flor,
vou de tudo despojada,
mas não vou desamparada,
que levo o teu amor.
                              Célia Gil

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Dor


(imagem do google)

Quieta, no meu lugar comum,
sinto-me invadir por ti,
nos espaços mais recônditos da minha alma,
sem que te espere,
sem que te anseie,
sem que te deseje.
Penetras os meus espaços sagrados,
rasgas ideias pré-concebidas,
vens destruir a autoconfiança,
deitar as tuas sementes do medo,
da angústia, do desassossego.
Espezinhas ínfimas partículas de felicidade,
expremes-me a alma até rolar
em grossas gotículas de lágrimas,
edificas em meu redor paredes de insegurança.

E o que resta de mim?
Um ser a tentar ser sem o perceber.
Uma sombra a tentar ganhar consistência.
Uma miragem de um sonho que não se concretizou.
Partícula de um passado que acabou.
                                                            Célia Gil