domingo, 16 de dezembro de 2012

O Natal em crise



(imagem do google)

           Este ano estamos a viver um Natal diferente. Sem subsídio de Natal, olhamos para os presentes que gostaríamos de comprar com alguma angústia, pois não há poder de compra. Sem poder de compra, os comerciantes veem os produtos por vender e por aí adiante. A crise é este ciclo vicioso que tem o poder de tirar o encantamento a este momento que fez sempre parte dos nossos sonhos de infância.
Sinto então necessidade de procurar a chave do Natal em casa das minhas avós, em Silvares. São seis da tarde. Vejo-me ainda menina em casa da minha avó materna, a comer filhoses acabadas de fritar. São quentes e gosto delas quase em massa. Daqui a pouco, começa a preparar-se o jantar. Eu estou feliz. Pedi ao Pai Natal livros de banda desenhada da Disney. Com certeza, trar-me-á dois ou três e isso é fantástico. Após o jantar, ouvimos um som no sótão. Corro à varanda e ainda vejo na minha ingénua imaginação, o Pai Natal sair no seu trenó. Corro às escadas do sótão e lá estão dois livros, do Patinhas e do Pateta. Fico felicíssima e sinto vontade de os começar logo a ler. Mas é hora de ir para casa da minha avó paterna.
Em casa da minha avó, estão os meus tios e primos. A mesa está posta para a ceia com tudo de bom, a minha avó foi sempre uma excelente cozinheira. Brinco com os meus primos até à hora de o Pai Natal chegar aqui, depois de percorrer as restantes casas da aldeia. Os meus tios, pais e avó conversam alegremente e há amor e alegria no ar. Cheira a sonhos de uma família feliz.
Chamam-nos para a mesa. Comemos por lambarice e não já por fome, mas o convívio é bom e os doces convidam-nos o apetite. O tio e o pai contam histórias do seu dia-a-dia e é tão bom sentir esta paz familiar que nos acalenta a alma e nos dá força para mais um ano de trabalho. Estes os momentos que valem a pena.
Colocámos os sapatinhos na salinha de estar e nós, crianças, nem nos apercebemos que as mães saíram da sala onde nos encontramos a cear. Não nos apercebemos também que o meu pai já ali não está. Ouvimos uma gargalhada. O Pai Natal acabara de sair. Ainda o vemos. É então que o meu primo mais novo diz “O Pai Natal tem os sapatos iguais aos do tio Fernando!” Rimo-nos todos ante esta astúcia de 2/3 anos. Mas depressa esquecemos o incidente e corremos para a salinha, onde cada sapatinho tem um ou dois presentes, não mais. E lá estão mais dois livros de banda desenhada. Sinto-me a menina mais sortuda do mundo.
Por isso mesmo, entristece-me ver as crianças reagirem sem qualquer entusiasmo perante uma série de presentes de Natal. A crise domina-nos a todos os níveis. Não apenas a nível económico, parece que até o valor dado às coisas está em crise.
Por isso, Pai Natal da minha memória, traz-nos o entusiasmo, a força de vontade e a alegria que o tempo ousou roubar! Faz-nos recuperar a essência do Natal!
                                                                                                   Célia Gil

sábado, 15 de dezembro de 2012

Desabafo



                                 (imagem do google)

           

11 de Setembro, de 2000

Há quanto tempo tenho adiado estas conversas inevitáveis e que fazem transbordar da minha alma todo o anseio, a saudade, a deceção?!...


Pai, agora, na solidão que me envolve, tu, meu querido, ouvir-me-ás, onde quer que estejas, para além da tua ausência, onde possivelmente ainda velas por mim.


Não fui certamente a filha ideal, a mulher ideal, porque o ideal, talvez não o saibas ou não o queiras saber, é uma perfeição suprema, fruto de uma imaginação, para a qual se canalizam todas as frustrações pessoais. Não há perfeições supremas. Há virtudes e há erros, tal como há sol e seca, chuva e dilúvio. E, se em mim houve tantas vezes sol, outras tantas houve uma estiagem tão estéril que me deixou inativa e perdida. E, se em mim, tantas vezes, os ideais meus ou teus foram regados e fortalecidos pela chuva da vontade, outras tantas se tornaram temporais avassaladores, capazes de arrasar qualquer sonho.


Hoje, nesta pequena quinta do interior, olho tantas e repetidas vezes esta paisagem que foi nossa, que me esmago na solidão do meu ser cansado, para me reencontrar naquilo que fui, naquilo que tive e que faz parte de um passado que transporto até hoje e para sempre.


O dia termina. Estou cansada da noite. O meu desabafo embala-me e o sono espreita pelas janelas deste humilde quarto em que me encontro a conversar contigo.


(excerto inicial)
                                                               Célia Gil

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

As unhas da infância


               Imagem relacionada
                                            (imagem do google)

                 Hoje transpus-me para casa da minha madrinha, em África. A chave da memória não me permite ver o exterior, só o interior. Abro lentamente e vejo, à minha esquerda, a porta da cozinha aberta. Vejo-me a abrir o frigorífico para tirar um pouco de coco. Está fresco e sabe-me bem. Tenho um ar feliz. Vejo ainda chegar uma criada negra, muito bonita, mas não são as feições do seu rosto que vejo, são as unhas numas belas mãos esguias, unhas longas bonitas e pintadas. Eu e os meus primos escolhemos, cada qual, a sua unha e ela é tão nossa, tão meiga, que ter uma unha sua é um privilégio que nos enche a alma pequenina.
                Subo as escadas a correr e entro no quarto dos meus primos. Eles lêem banda desenhada e eu observo-os. Sempre me deu prazer observar as pessoas, estudar os sentimentos que transmitem em cada gesto, em cada relance de olhar, em cada palavra. Estou feliz! Tenho uns primos inteligentes! Eu sei que terão sucesso no futuro, porque o brilho dos seus olhos mo confessa, porque têm interesses, uma infância preenchida e uns pais que os adoram e farão tudo por eles. Sou, muitas vezes, a prima chata, mais nova, que têm de suportar por umas escassas horas. Mas sou feliz porque os tenho para os chatear, para os questionar ou apenas…para os observar.
                Fecho a porta e regresso, ultrapassando o espaço onde estou para estar com eles. O meu pensamento pousa-lhes uma mão no ombro para lhes dizer que tenho saudades destes tempos de infância, em que a nossa felicidade estava em coisas tão pequenas como na escolha das unhas de uma negra bonita. É incrível como pequenos pormenores nos marcam para sempre.
                                                                                                                            Célia Gil

sábado, 1 de dezembro de 2012

Nas Teias do Poder


A família é tudo o que nos prende à vontade de viver. É o nosso objetivo. O cerne de todos os nossos pensamentos. É preciso mantê-la unida. Lembrarmo-nos de quem nos é querido em todos os momentos. Em momentos em que a sociedade, os ditos "amigos" e os colegas tendem a julgar-nos sem se preocuparem com o que verdadeiramente somos ou sentimos, é a família que está sempre "ali" para nos apoiar. É ela que ama incondicionalmente. É ela que não aponta o dedo em riste, mas sugere o melhor caminho, sem condenar. É ela que não age por interesse, mas partilha o que de melhor lhe vai no coração. É ela que não nos deixa cair, nos dá sempre a mão. E mal de quem não pense assim da sua família, é porque não a considera tão "sua" quanto devia, não a preserva, não a merece.

E, por falar em família, aproveito para dar um grande beijo ao meu marido, que me conhece como ninguém, que me valoriza e se preocupa comigo. Abraço os meus filhos que me dão todas as razões para me orgulhar deles e um amor incondicional que é o melhor do mundo.

No próximo sábado, o meu filhote mais velho, de 16 anos, lançará o seu segundo livro, desta feita um romance policial envolvente, fluído, com um enredo dinâmico e que se lê num ápice. Não digo isto por ser meu filho, mas porque este é realmente o género literário para o qual ele está vocacionado. Desejo-lhe muito sucesso, todo o sucesso do mundo. Todo o sucesso que uma mãe pode desejar a um filho.


Bom fim de semana a todos!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Recordações indistintas



                         (imagem do google)

Nas brumas da memória
dançam esqueletos de histórias antigas.
Cruzam-se fisionomias indistintas
traçadas a carvão em recordações de ardósia.
Ouço o seu canto,
longínquo canto perdido nas recordações,
vagueando sem ilusões
a ecoar no meu pranto.
                                               Célia Gil



sábado, 17 de novembro de 2012

Para sempre, meu amor!



(imagem do google)

Posso fechar os olhos,
perder-me,
adormecer,
esquecer-me quem sou,
que vou reconhecer-te sempre.
O teu cheiro,
os teus dedos na minha face,
a tua pele na minha,
a tua voz sussurrante
no meu ouvido,
o teu carinho…

Posso estar a entrar
no meu último sono,
que ainda abrirei
uma última vez os olhos
só para te ver,
te absorver
e te levar comigo.

E quando me cerrares as pálpebras,
beija-as mais uma vez,
para sentir o calor dos teus lábios,
na minha fria tez.
Não me dês agora a nossa flor,
vou de tudo despojada,
mas não vou desamparada,
que levo o teu amor.
                              Célia Gil

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Dor


(imagem do google)

Quieta, no meu lugar comum,
sinto-me invadir por ti,
nos espaços mais recônditos da minha alma,
sem que te espere,
sem que te anseie,
sem que te deseje.
Penetras os meus espaços sagrados,
rasgas ideias pré-concebidas,
vens destruir a autoconfiança,
deitar as tuas sementes do medo,
da angústia, do desassossego.
Espezinhas ínfimas partículas de felicidade,
expremes-me a alma até rolar
em grossas gotículas de lágrimas,
edificas em meu redor paredes de insegurança.

E o que resta de mim?
Um ser a tentar ser sem o perceber.
Uma sombra a tentar ganhar consistência.
Uma miragem de um sonho que não se concretizou.
Partícula de um passado que acabou.
                                                            Célia Gil

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Outono no meu peito


(imagem de cá)

Na minha alma impera o outono,
há sentimentos contraditórios
que se difundem no meu peito,
sentimentos puros, simplesmente ilusórios
aos quais me submeto, me sujeito.
Impregna-me o perfume da instabilidade,
a beleza dos campos de cogumelos semeados,
medronhos vermelhos dão cor ao castanho
das folhas secas caídas de ramos cansados.
Cheira a humidade, a caruncho, a terra...
É a natureza, aos poucos,  a apodrecer,
a reagir ao frio estonteante que a aterra.
E a nossa alma também hiberna,
também precisa morrer para renascer,
também ela apodrece, se prostra na caserna
à espera de um novo amanhecer.
Faltam ideias, vontade, iniciativa,
sobeja a preguiça, a ronha, a rotina,
é a mente cansada que já não se sente viva
que precisa de mudar a sua sina.
É preciso acordar a vida que adormece
nesta cama de folhas outonais,
tornar em novo dia a noite que escurece
recuperar todas as forças vitais.
                                                    Célia Gil


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Fenómeno natural

Hoje venho apenas apresenta-vos um fenómeno interessante que foi captado por cima da minha casa.
(imagem de cá)

Uma nuvem estranha pairava no céu. 
Por um lado, parece um coração, provavelmente porque em minha casa reina o amor. 
Por outro, parece estarmos a ser invadidos ou alvo de estudo por extraterrestres que se deslocaram aqui através desta nave espacial. 
O céu é um enigma e é incrível a forma como as nuvens se apresentam!
                                                                                                                      Célia Gil

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

vida citadina


(imagem do google)

No fulgor dos dias citadinos
agitam-se passos apressados
e os dias correm
sem destino, desesperados.
Multiplicam-se imagens passageiras
que são logo substituídas por outras,
todas efémeras, derradeiras
imagens sem vida, ocas.
Vagueiam sentimentos nulos de sentido,
sentimentos sem coração.
Cada ser é um ego perdido
na imensidão de uma vida sem razão.
Soltam-se notas e acordes musicais
que perdem rumo nas ondas auditivas,
ecos de quem não ouve mais
e se desvia, em manifestações fingidas.
Cidade nua de memórias,
onde se perde a identidade,
onde não se cultivam histórias...
Onde está a minha verdadeira cidade?
Quero andar sem pressa,
sentir cada cheiro,
analisar cada gesto
e sentir-me em casa.
Quero dizer bom dia, olá, até amanhã,
respirar a minha cidade,
sentir-me em paz
viver sem ansiedade,
ter a minha interioridade.
                                   Célia Gil

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os meus animais

Hoje venho apresentar-vos o nosso mais recente membro da família, o Becas. Tem quatro meses e que sobreviveu porque foi criado à mão, alimentado com uma seringa.
É muito meigo, já diz olá e deixa fazer miminhos a toda a gente. Tem umas asas espetaculares.
Adora beijinhos e o meu marido não perde a ocasião.

O Dragão, nosso cão mais velho, não estranhou o Becas, pois já tínhamos tido outro papagaio.
É um shitsu, meia-leca, que se considera o maior e gosta de se atirar aos cães maiores.

Já de outra forma reagiu o nosso cão mais novo, o Hulk, de onze meses, que tem imensa curiosidade em relação ao Becas. Passa o tempo a olhar para ele e a seguir os seus movimentos.

                                                                                                      Célia Gil

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O poder das mãos










(imagem do google)

Nas mãos temos a paz e a guerra.
Com elas damos, entregamos, compartilhamos.
Com elas tiramos, acusamos, recusamos.
Nas mãos temos a fé e a derrota.
Com elas acreditamos, fazemos justiça, lutamos.
Com elas esmorecemos, desistimos, enlouquecemos.
Nas mãos temos o amor e o ódio.
Com elas acarinhamos, amamos e nos damos.
Com elas nos vingamos, invejamos, ultrajamos.
Nas mãos temos de tudo um pouco,
E de tudo o que temos não temos nada.
São de Deus quando as estendemos na bondade,
São do demónio quando as fechamos à humanidade.
                                                                        Célia Gil

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Destino



(imagem do google)

Não questiones o destino,
ele só acontece
porque tem de acontecer.
Não o invadas na privacidade
dos seus domínios sagrados.
Não queiras desvendar os segredos
que lhe moram na alma.
Deixa-o acontecer.
Mesmo que o mundo inverta a sua rotação,
os rios não fluam em direção ao mar,
as horas parem em noite de preguiça,
a manhã não chegue a espreitar o horizonte,
a tua vida seja vendaval de emoções,
os sonhos te abandonem em desalento,
o amor seja uma miragem no infinito,
o carinho, um gato arisco e irado…
Ainda que a fé pareça ilusão num pedestal,
as pessoas tenham esquecido o que é humanidade,
o chão pareça fugir-te dos pés…
Não questiones o destino.
Esse é o percurso que nos permite
amadurecer, aprender, viver.
É a trajetória natural da vida,
com que o destino nos prepara,
nos sacode a inércia,
nos grita que somos capazes,
nos permite continuar a sonhar,
continuar a viver e a acreditar.
                                          Célia Gil

domingo, 23 de setembro de 2012

Sonhos desfeitos


(imagem do google)

Nuvens irregulares
dormem aninhadas
umas nas outras
perante a Lua vigilante.
São avantajadas,
branquinhas e suaves
qual algodão doce
em dias de festa.
Da minha janela
ouço-as ressonar,
recarregando forças
para, no dia seguinte,
revigorarem campos sequiosos
com a sua água abençoada.
Sinto dentro de mim
o cheiro da terra molhada
e invade-me a paz do momento.
Pudera eu repousar assim
de tudo o que me perturba,
aninhar-me numa nuvem
pensando que amanhã
cumpriria a minha missão.
Os meus sonhos seriam dominados
pelo branco da paz
pela suavidade de um futuro risonho.
Depois da minha missão,
desfazer-me-ia e perpetuar-me-ia
na Natureza, berço das nuvens.
O ciclo continuaria,
Novas missões, novos sonhos de paz.
E tu, Deus meu,
serias a minha Lua vigilante.

Mas a minha vida
é um vendaval de emoções,
uma torrente de recordações,
uma enxurrada de desilusões.
A minha missão cai por terra
sem abençoar ninguém
com o seu gesto,
destruindo os sonhos,
devastando ilusões.
A fé esmorece,
perde a força,
destruída pelo tufão da vida.
Fecho a janela
e acordo para a realidade.
                                        Célia Gil

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Luta inglória


(imagem do google)

O que há em mim hoje
é a solidão existencial
que me deixa à deriva.
Procuro-me no vazio
e encontro o nada.

Há momentos na vida
em que somos soldados da paz,
espalhamos amor,
vivemos amizades,
partilhamos respeito,
proclamamos fé,
seguros de nós,
auto-confiantes.

As dúvidas derrubam-nos
as certezas que se tornam questionáveis.
Demoramos anos a acreditar
em coisas que, num minuto,
perdem a credibilidade.

Vem a ansiedade
semear na alma o desespero.
Vem a angústia
questionar a fé
e pô-la à prova.
Vem a desilusão,
qual vendaval,
levar o amor
soprando-o até ao abandono.
Vem a falsidade
qual sismo
abrir fundas fendas
no sentido
da própria vida.
Vem a insegurança
roubar a autoconfiança,
deixar o ser na solidão.
O ser antes confiante
é hoje alguém que jaz,
só, triste e errante.

E o soldado da paz
deposita as armas no chão,
cansado de lutar sozinho
por uma causa que cria nobre,
mas que não passa de causa vã.

(Assim andamos, portugueses desanimados e fartos de lutar pelo país, sem que nada mude!)
                                                                        Célia Gil

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Fusão

(imagem do google)
Hoje vou voar
por campos verdejantes
atapetados de flores.
Vou pousar devagarinho,
absorver o néctar divino.
E nos meus olhos,
espelho do arco-íris,
brilhará o encanto
desses botões de rosa multicolores.
Qual beija-flor bebericando
as gotas do orvalho,
voando com asas de borboleta
ao som do cântico
que embala ilusões.
E as minhas asas coloridas
confundir-se-ão com as flores.
Pudesse eu para sempre
fundir-me com a natureza,
fazer parte dessa paisagem
que contemplas embevecido,
que cheiras e absorves,
levando-a no teu coração.

Numa altura muito trabalhosa de início de um novo ano letivo, fica aqui um poema que suaviza um pouco este dia a dia stressado.
                                                      Célia Gil

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Como uma canção



(imagem do google)

Conheço de olhos fechados
as margens dos teus olhos.
Sei quando correm rios
de desespero que te sulcam o rosto.
Conheço-te de olhos fechados,
para mim não tens segredos guardados.

Conheço de olhos fechados
as nuvens que turvam
o sol que te brilha nos olhos
quando uma preocupação
se forma em neblina cerrada
e contrai as formas do teu rosto.
Conheço-te de olhos fechados,
para mim não tens segredos guardados.

Conheço de olhos fechados
a suavidade de seda
das asas de borboleta
que moram na tua face
quando a felicidade cresce
em canteiros de alegria
semeados à porta da tua vida.
Conheço-te de olhos fechados,
para mim não tens segredos guardados.

Conheço de olhos fechados
a fruta madura e sumarenta
que te abre os lábios
quando me beijas
em dias que sabem a algodão doce.
Conheço-te de olhos fechados,
para mim não tens segredos guardados.
                                       Célia Gil

domingo, 2 de setembro de 2012

Palavras que me sussurras



(imagem do google)

Atiras palavras ao vento
que caem em precipícios de emoções,
palavras de dor, de lamento
ou que apaziguam corações.
Sei de cor cada som,
reconheço cada tom
das palavras que me sussurras
ao ouvido, em noites escuras.
Reconheço as palavras passageiras,
esquecidas, adormecidas...
As palavras mensageiras
que vagueiam, assim, perdidas...
E quando o teu silêncio me abraça,
me aquece o desassossego,
esqueço tudo, tudo passa
e mergulho no aconchego
das palavras que me sussurras
ao ouvido, em noites escuras...
                                              Célia Gil

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pessimista. Porque não?


(imagem do google)

Sou pessimista. Sou. Porque não?
É mais fácil cair-me uma lágrima
do que conseguir que o coração sorria.
A tragédia acontece antes de ter acontecido,
sofro sempre por antecipação.
Antes de me esquecerem, sou ser esquecido,
tudo é areia que se esvai da mão.
O cair da noite é breu cerrado,
as certezas, mera ilusão,
Sinto o certo muitas vezes como errado,
sonhos são folhas caídas pelo chão.
Penso, pondero sempre em demasia,
desisto, não insisto no que me diz o coração,
Olho para os golpes da sorte como quem desconfia.
Sou assim. Pessimista. Porque não?
                                               Célia Gil

sábado, 25 de agosto de 2012

Algumas fotos de férias

Este ano não tive propriamente férias. Passei uns dias no Porto, passando por Aveiro e, para a semana, irei passar mais uns dias a Lisboa. Mas aqui ficam algumas das fotos destes passeios:
A ria de Aveiro proporciona uns passeios agradáveis.

Em Miramar, em Gaia, apanhámos bom tempo e ainda fizemos uma manhã e tarde de praia. Até fui duas vezes à água, apesar de fria.

Um passeio pela Foz do Porto é sempre inspiradora, tem paisagens que relembram o cinemascópio.

Eu e o meu mais que tudo passeando pela rua de Cedofeita, no Porto, onde vivi durante os meus 5 anos de curso.

Eu e o meu mais que tudo em Aveiro.

De regresso a casa, o resto das férias foi passado entre a piscina do condomínio em que vivo, a horta e o finalizar das obras.

O resultado do telheiro que fizemos no exterior da casa, agora já fechado com vidraças.

Uma vista panorâmica da horta e do telheiro, que tem do lado direito uma casa de banho e do lado esquerdo um quarto de arrumos.

E quando não nos apetece ir à piscina, sempre nos podemos deitar nas espreguiçadeiras e ir arrefecendo no chuveiro.

Um lindo domingo!






terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vitória do presente


(imagem do google)

Quedo-me no silêncio que jaz
nas horas repetidas,
cansada de jogar às escondidas
com um tempo que não volta atrás.

Apodera-se um desejo de mim,
formigueiro de sonhos impossíveis
de tornar imprevisíveis
o nascimento, a vida, o fim...

Tacteio a escuridão abismal
dos sonhos que não concretizei,
da juventude que não guardei
e que julguei ser intemporal.

O hoje entra então de repente
no palco quimérico da minha vida,
resgatando a esperança perdida,
dizendo-me: o agora é para sempre.
                                            Célia Gil


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sociedade marginalizadora



Em todas as esquinas,
em recantos resguardados e abandonados,
olhos sem vida seguem os nossos passos,
à espera de uma esmola…

Esses olhos esbugalhados
salientes num rosto semeado de ossos,
deixaram há muito de brilhar,
quando se apagou o facho dos sonhos,
se desfizeram as mais ínfimas ilusões.
Fica o vazio de um passado apagado,
o futuro é um beco de incertezas e deceções.

Olhos cansados de viver
suplicam o mínimo para sobreviver.
De tanto sofrer, aprenderam
a andar de mãos dadas com a dor,
aprenderam a lidar com o sofrer.

Os objetivos ficaram presos no passado.
O hoje é a ausência de tudo.
Resta a fome, o frio, a luta diária,
Mas o grito de revolta quedou-se, mudo.
Marginalizados, ocos de sentimentos,
cadáveres adiados, afundados na sua vida precária.

Quem foi, outrora, o ser por detrás dos olhos apagados?
Com certeza não este ser envelhecido,
este ser ignorado, fruto da sociedade umbilical
que o discrimina e o deixa esquecido,
qual resto servido a um animal,
só porque fraquejou perante a vida,
desistiu face às dificuldades,
não teve força para ultrapassar as maldades
de quem despreza a pessoa que se dá por vencida.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Mini-férias

Finalmente um merecido descanso numas mini-férias rumo ao Porto! 



Pontuar a vida

Nem sempre pontuamos corretamente
os momentos da nossa vida.
Esta passa, inexorável,
vírgula após vírgula
em momentos que avançam
inexoravelmente ligados
às malhas do passado.

Impõem-se reticências
em atitudes impensadas,
realidades inacabadas,
dúvidas que ficam nas ausências.

Quantas vezes me interrogo numa afirmação,
confrontada com dúvidas assumidas como verdades?
Quantas outras exclamo sem razão
o que sei serem dúvidas nascidas das muitas ansiedades?

Mas, perante a hesitação das reticências,
a convicção das exclamações,
a dúvida das interrogações,
surge um travessão para acabar com as incoerências.

Inicio um diálogo para partilhar,
gritar ao mundo a minha dor,
manifestar, opinar, confidenciar
um pesadelo, uma fúria, um dissabor.

E nos meus momentos a sós comigo,
entro em grandes monólogos,
com as paredes do meu abrigo.

Nos momentos mais recônditos,
é o monólogo interior
que acalenta a mágoa e extravasa a dor.

Mas para quê tanto sofrimento,
se tudo termina com a morte
num irremediável ponto final?


Até ao regresso!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Amor (salva)dor




Quando olho no fundo do teu olhar,
Ele suga-me as forças que esmorecem
E todos os músculos me estremecem
Só por te ver, te querer, te desejar.

E quando sacias o meu amor,
Sinto-me plena, repleta de vida,
Recupero a energia perdida,
Encaro os problemas com mais fervor.

Só tu me elevas o ego abalado
Pelas contrariedades do mundo,
O ergues do seu ser desesperado.

Só tu lhe dás a mão para o levantar,
O libertas do triste ser imundo,
Fazendo-o novamente acreditar.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Perdi o meu sorriso



(imagem do google)

Perdi o meu sorriso,
não aquele que apenas me contrai os lábios.
Perdi o verdadeiro sorriso,
aquele que vem de dentro para fora,
que nascia no fundo do meu ser.

Procurei-o em todas as divisões da casa.
No quarto encontrei apenas emoções;
na sala, divagações;
na cozinha, recordações;
na varanda, contemplações.
Desisti de o procurar,
não estava à vista.
Perdi-o dentro de mim,
na camada mais secreta do meu ser,
no ventrículo mais fundo do meu coração,
escondido entre a emoção e a razão.

Quis resgatá-lo.
Era tarde, as mãos tremiam,
os gestos já não obedeciam
e o sorriso era falso.

No exterior ficaram sorrisos faciais:
o sorriso de troça,
o sorriso de condescendência,
o sorriso de deslumbre,
o sorriso de embaraço,
o sorriso amargo,
o sorriso humilde
e muitos, muitos sorrisos…

Mas o meu sorriso,
o que vem da alma,
ficou para sempre esquecido!
                                       Célia Gil

terça-feira, 31 de julho de 2012

Palavras


Dou comigo a decifrar minh'alma,
seguindo das palavras a pista oculta .
Algumas fazem-me perder a calma,
outras, dão-me paz, ainda que não absoluta.
Algumas reveladoras, outras disfarçadas.
Às vezes ponho-as na minha mão,
observo-as, como conchas fechadas,
tentando libertá-las da opressão.
Mas já me fogem, lânguidas, inatingíveis...
Corro em seu encalço, mas já exausta...
deito-me nelas, nas mais sensíveis,
nas que me acolhem com sua voz cauta.
Descanso então das canseiras diárias,
e invadem-me palavras, maliciosas,
torturantes e revolucionárias,
angustiantes, duras, pretensiosas.
Revolto-me em debates interiores,
afirmo, convicta, meus argumentos
Mas, perante elas em terrores,
perco a luta em todos os momentos.
Cansada acordo, cansada me deito,
perseguida por elas, falsa quimera.
Mas é nelas que sonho e me deleito,
com elas liberto-me do que me aterra,
com elas extravaso o que me vai no peito.
                                                        Célia Gil

domingo, 29 de julho de 2012

Deixem-me escrever, enquanto viver!




(imagem do google)

Um dia deixarei de o ser,
por isso esta busca incessante do que sou
enquanto sou...
Quando deixar de o ser
ninguém mais me procurará,
serei apenas mais um ser a partir,
serei apenas cinza,
recordada ou esquecida,
nada mais...
Não me impeçam,
não tentem impedir-me!
Deixem-me percorrer o meu caminho.
Se tiver de errar,
deixem-me errar!
Se vaguear sem rumo certo,
deixem-me vaguear,
através de palavras
conexas ou desconexas,
mas que fazem parte do meu pensar.
Quero louvar o Sol, a Lua,
o Passado, a Realidade nua,
a Vida, a Poesia,
o Amor, a Ficção,
a Tristeza, a Emoção!
Quero viver plenamente,
continuar a beber
das Tágides a inspiração,
a escrever com o coração,
a libertar palavras fechadas em mim
e ansiosas por se espraiarem na folha em branco.
Porque, um dia,
não mais sairão...
levá-las-ei comigo
para o caixão.
                             Célia Gil

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pudesse eu deixar de pensar!


Resultado de imagem para deixar de pensar
(imagem de http://write-to-me.blogs.sapo.pt/1249.html)

Preciso deixar de pensar,
esconder-me das minhas ilusões,
deitar-me no meu bem-estar
e deixar-me de divagações.

Quanto mais penso no que sou
mais procuro o inconsciente,
sou um barco que naufragou
sem encontrar o Oriente.

Deito-me teluricamente,
aspirando o ar da terra,
quero paz para a mente
que a pensar está em guerra.

Quero voltar a ser criança,
não ter de me preocupar,
rumar em direcção à distância,
sem nada procurar.

Quero de mim me ausentar!
                               Célia Gil

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ó Lua


Papel de Parede de Noite com lua cheia
(imagem do google)

Quando te vinha contemplar,
ó Lua esplendorosa,
na varanda de minha casa,
tu também me contemplavas
e, juntas, ficávamos
ouvindo a noite ressonar.
Contava-te as minhas histórias,
momentos da juventude
e, juntas, apreciávamos
todas essas memórias.
E, juntas, iluminávamos
a estrada que já aqui não passa.
E, noite após noite,
ali ficávamos…
                             Célia Gil

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Marcas de solidão



(imagem do google)

A noite cai sobre nós de mansinho.
No seu alforge traz a solidão
e quando o abre, assim, devagarinho,
espalha o seu breu em qualquer coração.

Os lábios fecham sorrisos diurnos,
os fantasmas do passado regressam
e dormem nos nossos sonhos noturnos
sem que a fé e a realidade os impeçam.

É aí que a solidão nos abraça
e se espalha nas paredes do lar.
O medo cresce, a coragem esvoaça,

as certezas dissolvem no ar.
A vontade, a solidão a enlaça
e só volta quando o dia raiar.
                                      Célia Gil

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Queques de laranja e iogurte

 Muito fáceis de fazer, ontem entretive-me e fiz estes queques para os filhotes. A receita:

ingredientes:
- 2 iogurtes naturais
- 500 gramas de açúcar
- 2 dl de óleo
- 6 ovos
- 500 gramas de farinha
- 1 colher de sopa de fermento
- sumo de 2 laranjas

Confeção:

Bate-se o iogurte com o açúcar e o óleo. Juntam-se os ovos e bate-se. Por fim, acrescenta-se a farinha, o fermento e o sumo de laranja.
Com uma colher de sopa, enchem-se formas de papel até meio, colocam-se nas formas de queques e vai ao forno a 180 graus até ficarem douradinhos por cima.



Fáceis e fofos. Guardados no frigorífico, agora no verão, são uma delícia.
Bom apetite!