quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rostos que contam histórias de amor

(imagem do Google)


Rostos que passam,
pessoas que vão
ou que marcam...
E em cada rosto
uma história de amor diferente.
Alguns têm sorrisos
de amor que pinta de cor
as paredes da alma,
olhos cintilantes
de quem rodopia no céu
em voos de alegria
por entre estrelas cadentes
a abrilhantar o seu dia.
Faces flamejantes em harmonia,
emoções que vão mais além
de corpos em sintonia.
Em palavras trocadas,
em pensamentos partilhados,
em histórias vivenciadas
e em segredos guardados.
Outros perderam a cor
e o brilho dos olhos
em desilusões de amor,
sonhos desfeitos em gestos,
ilusões perdidas em palavras amargas
ao virar da esquina da vida.
E os indiferentes,
ao amor renitentes,
em conflito interior
com o seu desamor.
Rostos espelho de sentimentos,
retrovisores espelhando amores
e denunciando desamores.
Poucos rostos que marcam
por entre tantos que passam...
                                          Célia Gil

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Carpe diem"

Após um final de semana muito trabalhoso, a ultimar a mudança de casa, regresso ainda a meio gás, com net provisória, para ler uns textos e deixar mais um poema!

(imagem do Google) 



Tão breve a vida...
Não quero desperdiçá-la
sem passar por ela,
deixando-a escapar
ao passar a seu lado.
Anseio cantá-la
em suaves ou alegres melodias,
com alma, com paixão, com coração,
num slow, numa música romântica,
numa valsa, num ballet clássico;
seja ainda numa batida louca
de um rock and roll ;
seja ainda num som sensual
de uma lambada ou Kisomba...
Não quero passar pela vida
sem vida, sem batida, sem som...
Qual flor murcha antes do tempo,
qual pássaro que perdeu o canto
qual comodista em monótona vida,
qual princesa em redoma de vidro.
A alegria que construímos durante anos
não pode esvair-se com as palavras ocas
de quem gosta de nos ver sofrer.
A amargura que esperam ver em nós
só pode servir de estímulo para a indiferença
para com quem nos quer vergar
e para criar novas forças
que nos permitam
viver a felicidade
em plenitude!
               Célia Gil

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um novo capítulo



Vou virar mais uma página
na minha vida.
Iniciar um novo capítulo,
dar-lhe um título criativo
e torná-lo atrativo.
As personagens serão as mesmas,
só que modeladas
num crescente de felicidade
e de cumplicidade.
O espaço, esse mudará.
O cenário urbano amenizar-se-á
com uma vista sem fim para a serra
em quilómetros de verdura.
Um “locus amoenus”
que semeará a paz
no âmago das personagens.
O tempo, esse deixará de ser
meramente cronológico
e passará a ser o nosso tempo,
o tempo sonhado,
o tempo psicológico.
Este capítulo não encerrará o livro.
O fim só a própria vida o saberá
e só Deus o escreverá.
                      Célia Gil


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sol em mim

(imagem do Google)


Contemplo um céu
rasgado ao meio por um raio laranja
que ficou quando o sol se pôs,
como o sorriso com que o céu nos contempla
a difundir alegria de nuvem a nuvem,
remetendo-as a um segundo plano.
Agarro essa réstia de ilusão,
bebendo-a com os meus olhos ansiosos,
perpetuando-a em mim
num sorriso que vai da alma ao coração.
E as minhas artérias batem palmas
perante o espetáculo deste raio de sol
perdido pelo sol
e encontrado por mim e em mim,
que irrompe de dentro para fora
através do brilho de olhos,
lágrimas de alegria,
e da força com que os meus dedos
tocam os objetivos da vida para a frente.
Agora que o capturei
não o quero deixar escapar
ou enevoá-lo com nuvens de sofrimento.
Agora que o capturei
quero mantê-lo livre em mim,
para poder abraçar a vida
sempre como um raio de sol.
                              Célia Gil

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Amor


Voltou o trabalho e com um ritmo alucinante, por isso nem sempre vou postar ou comentar, fá-lo-ei sempre que puder! Bom fim de semana!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Nuvens de sofrimento


(imagem do Google)

Nuvens escuras e carregadas
comprimem o sol nos seus braços
em abraços prisioneiros
que ofuscam doces alvoradas.

Sol comprimido em almas instáveis
carregadas de lágrimas prestes a chover,
lusco-fusco gradeado pela chuva
que engasga o sol com gestos hábeis.

Céu sedento de luz
que seque a alma alagada,
um raio fraco que seja,
numa nova alvorada.
                   Célia Gil

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Gestos

(imagem do Google)

Há gestos que insultam
e nos revelam a nossa pequenez.
Gestos que comandam
e nos reduzem a nada.
Gestos insanos e desvairados
que nos deixam perturbados.
Gestos divinos
que nos acolhem nos braços.
Gestos programados
em que não nos reconhecemos.
Gestos espontâneos
como uma flor que abre pela manhã.
Gestos opressores
até nos comprimirem a garganta.
Gestos libertinos
invasores da nossa privacidade.
Alguns soltam-nos a alma
qual cabelos ao vento.
Outros assemelham-se
a um ranger de dentes
e tocam-nos como punhais cortantes.
Gestos…
Pequenas grandes manifestações
dos nossos sentimentos.
                            Célia Gil
 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Carta


A carta é o mais belo meio de comunicação. Tem a letra de quem escreve, a alma espraiada na folha em branco, o coração a latejar nas palavras. Tem um tempo de espera que gera expetativa e ansiedade. Aguarda resposta. E é tão bom aguardar resposta! Tem o cheiro das mãos que a escreveram, a dobraram e a colocaram no envelope. Tem sentimentos. Sorrisos amplos de linha a linha. Lágrimas que nos caem nas mãos. Notícias boas que ressuscitam a vontade de viver. Notícias tristes que nos apetece embalar até passarem.





Pensamentos

domingo, 11 de setembro de 2011

A força dos afetos

(imagem do Google)

Uma palavra que surge no momento certo,
incentivo que nos desperta a coragem
de prosseguir caminhos de coração aberto
de quem recebeu da vida uma nova aragem.

Um gesto de carinho a roçar a pele,
com leveza, mas repleto de certeza,
gesto simples com sabor a mel
que revela força na própria delicadeza.

Um olhar que entra pelos olhos adentro
e faz repousar o nosso medo,
embalando-o com o seu alento
até se libertar do seu degredo.

Os afetos dão cor à vida,
sentido às coisas mais impercetíveis,
ajudam a suportar a despedida
e a tolerar derrotas imprevisíveis.
                                           Célia Gil



sábado, 10 de setembro de 2011

O poder da natureza


(imagem do google)

Nuvens cinzentas
anunciam o Outono que chega;
trovões ressoam zangados
em faíscas de rancor.
Toda a montanha parece sepulcral,
com as sombras escuras
de árvores indistintas,
uivos de lobos anunciando
a iminente tempestade.
O solo estremece
perante um céu mais carrancudo;
a lua esconde-se com medo,
temendo ser irremediavelmente engolida
pelas nuvens escuras
grávidas de granizo
pronto a apedrejar as flores
que se encolhem e perdem o aroma.
É a natureza
em puro gesto de revolta,
que atemoriza
e aterroriza
com o seu inquestionável poder,
indecifrável poder,
desconhecido poder,
mas que é O PODER DA NATUREZA!

                                                 Célia Gil



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Conto infantil - Nasceu uma estrela




Mais um conto infantil, numa narrativa em verso ao estilo popular, que também gosto muito de escrever:


Nasceu um menino, pequenino,
um quase nada de grão de areia,
   para o qual não previa o destino
   vir a ser boa sementeira.

 
               Mas o menino chorava,
               berrava acordando toda a gente,
               parecia uma chata cigarra,
               uma labareda pequena mas resistente.






E o menino cresceu, ainda que franzino,
passando despercebido lá na vila,
não davam cinco tostões pelo pequenino
patinho feio, o filho da Camila.







 Mas um dia, numa festa popular,
depois da missa e da Kermesse,
o miúdo subiu ao palco e a cantar
entoou uma encantadora prece.





Toda a gente à sua voz se rendeu,
parou, olhou e escutou.
Ali mesmo uma estrela nasceu
e nunca, nunca mais se apagou.

Brilha, brilha, meu menino,
fulgor que vem do interior,
ainda que sejas pequenino,
serás digno de louvor!
                              Célia Gil

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Criança pedinte por profissão


(imagem do Google)


De mão aberta,
a criança suplica uma esmola.
Gestos ensinados pelos pais.
Pais?Que pais?
Ar de fome, pedinte por hereditariedade,
hábito que se torna um vício
que entra, assim, nas suas vidas
como tendo sempre feito parte delas.
Ajoelho-me à sua frente
"Queres um bolo? Uma água?"
Mas a criança muda o ar pensado
e responde, de semblante carregado,
tão carregado que estremeço,
e diz com naturalidade:
"Não tenho fome! Quero dinheiro!"
E lá vem a lengalenga ensaiada,
voltam os olhos tristes
e a criança preparada:
"A minha mãe teve um bebé
e não tem leite. Ele está a morrer!"
Certeiras palavras
entram nos ouvidos diretas ao coração
e esqueço o teatro de rua
já totalmente convencida pela emoção
E abro a carteira, estendo a mão...
Apesar de saber, lá bem no fundo,
que não é verdade, mas uma profissão!
                                                         Célia Gil

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quero despertar a poesia


(imagem do Google)

Quero despertar a poesia
que adormeceu nos meus olhos,
restituí-la às coisas mais simples,
dar-lhes novo brilho,
vesti-las de borboletas,
borrifá-las com aromas inebriantes,
numa purpurina de vida.

Quero despertar a poesia
que a azáfama do dia a dia
ousou roubar.
Desenhar um novo brilho nos olhos,
alongar o sorriso que vem de dentro
e deixá-lo contemplar tudo
como se fosse a primeira vez.

Quero despertar a poesia
que esqueci debaixo da almofada
quando me esqueci de sonhar.
Deixá-la divagar,
rodeada dos seus duendes e fadas,
de florestas, frutos e flores,
de paixões, desilusões,
de amores e desamores,
mas…repleta de emoções!

                                    Célia Gil

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fonte, confidente eterna


(foto daqui)

As tuas águas correm, límpidas e puras,
desde há muitas gerações,
fonte de aventuras e desventuras,
fonte de ilusões e desilusões.
Homens solteiros lançando
as redes do amor a belas raparigas
que se faziam desentendidas
enquanto eles as iam mirando.
Pela noite adentro, fonte de ressaca
de quem andou vagabundeando
de bar em bar, de tasca em tasca.
Outras vezes fez-se acompanhar
de senhoras em rendas entretidas
que a língua matreira aproveitavam para desenrolar
enquanto laboravam enxovais às comprometidas.
E à tarde, bem à tardinha,
cúmplice da moça chorosa,
confidente da rapariguinha
na sua desilusão amorosa.
Pouco antes da missa, homens ali se sentavam
para trocar dois dedos de conversa
enquanto elas o terço na Igreja rezavam.
Fonte de encontros amorosos
única testemunha de beijos roubados
por moças e moços formosos
em encontros não planeados.
Fonte de tantos e tantos momentos,
vida correndo lembrada em água,
água que sacia os sentimentos
perpetua o amor e afoga a mágoa.
                                     Célia Gil

sábado, 3 de setembro de 2011

Quando a velhice se apodera da alma

Como amanhã estou fora (serei madrinha de casamento de um primo a uns kilómetros daqui), deixo a postagem hoje:

(imagem do Google)

Olhos enrugados e encovados
espreitam inertes a vida que já não é,
olhos vividos e parados
de quem perdeu do arco-íris a fé.

E os dias passam repetidamente
cravejando rugas, acumulando anos,
sem aura de futuro neste presente
de tantas mágoas e desenganos.

As lágrimas secaram, a boca silenciou
toda a esperança e emoção…
A razão de viver apagou
o passado do cansado coração.

Entristeço por ver morrer lentamente
toda a vossa força de viver
e não estar de todo em meu poder
devolver-vos o brilho nos olhos
e desenhar-vos um novo arco-íris na mente.
                                                     Célia Gil




Estática

(imagem do Google)

Hoje é daqueles dias
em que me sinto soturna.
Deixei os reflexos espontâneos
ao dobrar a esquina do passado.
E o futuro assemelha-se
a um grande “bicho papão”,
ao “homem mau” que virá
se não for boa menina.
Às vezes olho-me ao espelho
e vejo a menina franzina
com medo da própria sombra,
mas já não fujo,
a menina que fugia fugiu para sempre.
Limito-me a ficar,
ainda que estarrecida,
sentada no meu cansaço,
sorvendo um ar pensativo.
Estou só e a sós
com os meus medos e angústias
e assim permaneço…estática!
                                    Célia Gil



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Súplica à pena


(imagem do Google)

A pena suplica
por afagar uma vez mais
a folha de papel,
fazendo-a dançar de madrugada,
num carrossel de emoções,
numa roda viva de cores,
numa simbiose de odores,
em amplos voos de divagações.
E quando a mão rejeita
fazer dançar a pena,
a folha esmorece, perde o brilho,
as emoções ficam acorrentadas
em estreitas celas da alma,
a criatividade remete-se ao silêncio
na obscuridade das coisas por dizer,
na profundidade das coisas por escrever.
E o meu peito pesa,
transborda de sensações
que guarda até ao limite,
fazendo-me roçar
o limiar da loucura
num total descontrolo,
de que só a pena me poderá libertar.
                                         Célia Gil

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Rio do perdão

(imagem do Google)

A coragem de pedir perdão,
depois de reconhecer os erros,
é como um banho de rio
depois de um extenuante dia de trabalho.

Custa penetrar nas suas águas gélidas,
demora a submergir por completo,
deixando a respiração entrecortada
e os nervos à flor da pele;
mas, no fim, há uma sensação de alívio,
um leve tremor de prazer
que transborda do peito,
porque se conseguiu nadar em perdão,
recuperar a paz,
poder fechar os olhos
e sentir os erros afogarem-se
para sempre e não se repetirem.

Há que saber pedir perdão
para se navegar neste rio
que é a vida a seguir o seu curso.
                                     Célia Gil