Contos.
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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Confundir a Cidade com o Mar, Richard Zimler

Célia Gil
Zimler, Richard (2008).Confundir a Cidade com o Mar. Alfragide: Oceanos.
  


Este é um livro de 16 contos, que nos fazem viajar no tempo e no espaço, nos levam da Argentina ao Brasil, da Europa aos Estados Unidos, com uma passagem especial por Portugal.

São contos que deixam muito espaço à imaginação do leitor. Zimler fala de temas polémicos e de difícil abordagem como o racismo, a homossexualidade, a emigração, a homofobia, a morte, os traumas, o suicídio, sempre tendo em atenção que os contos terminam normalmente de forma menos feliz e com uma linguagem tão direta como só ele faz, uma linguagem dura, crua, áspera e, muitas vezes, perturbante.


Ainda que se abordem temas tão chocantes, o autor não deixa de se focalizar nas relações entre pessoas e nas emoções e esse é o fio condutor entre todos os contos deste livro. 

Prende-nos às personagens, faz-nos sofrer com elas, odiá-las, admirá-las. Alguns contos são, porém, muito breves, ficando no leitor um vazio por preencher. Queria mais, mais de cada conto. Mas este é o estilo enigmático de Zimler, que não revela tudo, que lança a problemática para nos deixar a pensar nela.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Noite que adentra

Célia Gil
Estava uma noite aziaga, a ansiedade galopava no peito, abrindo grandes olhos de expetativa. Mas a noite, essa, não estava convidativa. Era uma noite sem luar, sem estrelas, sem nuvens, sem lua. Uma negra noite, vazia, oca. Um logro. Foi nessa noite que tudo mudou. O olhar encovou-se numa ímpar tristeza e a ansiedade morreu no peito, dando lugar a uma prostração doente. O brilho dos olhos secou em lágrimas brotadas de par em par. Como essa noite vazia, assim é, às vezes, a vida. E tudo passa a ter um véu que enevoa a clarividência e o negativismo é o monstro que nos faz caretas para além do véu.
                                                                                                                                             Célia Gil 

domingo, 21 de janeiro de 2018

visto do céu

Célia Gil
Sebold, Alice (2002). Visto do Céu. Casa das Letras/Editorial de Notícias


Sobre o Livro
 «Susie, a narradora, é uma adolescente, que está morta quando o romance começa. E lá do céu resolve contar-nos como ali foi parar, vítima da brutalidade de um pacato vizinho, que a violou, a matou, a cortou em pedaços, que depois distribuiu por vários locais. Susie começa a observar, lá do céu, a vida na terra, e tenta modificar o destino daqueles que ama.» ( Webboom)

Visto do Céu, de Alice Sebold, aborda temáticas que nos fazem refletir: a vida, a morte, o perdão, a vingança, a memória e o esquecimento. A violação e morte (por um vizinho aparentemente inofensivo) de uma jovem de catorze anos é revoltante e provoca, nas personagens que ficam, os seus familiares, um sentimento de dor e frustração por não saberem o que aconteceu, como aconteceu, dado que nunca encontram o corpo, mas fragmentos… Por outro lado, confronta-nos com a ideia do pós-morte, levando-nos a questionar sobre o que haverá depois da morte, que poder têm os que morrem e que influência exercem sobre os que ficam.
Susie Salmon tem o olhar vivo e irrequieto dos seus catorze anos. Observa o desenrolar da vida: os colegas da escola, a família, o lento passar dos meses e das estações. Está tudo muito calmo, tudo parece muito acolhedor. Um único pormenor desmente tanta placidez: é que, de facto, Susie já morreu. Estranhamente, o céu parece-se muito com o recreio da escola, com os tradicionais baloiços que o caracterizam. Aos poucos, Susie compreende que é o centro das atenções: os colegas comentam os rumores sobre o seu desaparecimento, a família ainda acredita que ela poderá ser encontrada, o assassino tenta esconder as pistas do seu crime...

A autora compôs personagens distintas e com diferentes características, que comprovam a complexidade do ser humano.
Susie fala sobre as dificuldades que a sua família passa após a sua morte, nomeadamente o intenso sofrimento do pai, que tudo faz para tentar descobrir o assassino da filha; a frieza da mãe enquanto se envolve amorosamente com o detetive a quem entregam o caso do homicídio da filha; o amor e as saudades que a irmã sente, sendo a única que acredita nas suspeitas do pai, chegando ao ponto de, corajosamente, invadir a casa do Sr. Harver (o assassino) e encontrar provas que este era afinal o culpado…
Através da narradora, a vítima, vamos descobrindo outras vítimas… Como terão sido mortas? Serão estes crimes descobertos? O Sr. Harvey será devidamente condenado? São questões a que este livro nos vais dando resposta. Por isso, há que entrar e mergulhar a fundo nas investigações que se fazem ao longo das páginas deste livro.

Sobre a autora
O primeiro livro que Alice Sebold publicou chama-se Sorte e é um doloroso relato na primeira pessoa: uma memória da sua própria violação, por um colega da Universidade de Syracuse, obra que brevemente será editado em Portugal pela Casa das Letras. O Village Voice distinguiu-a, então, com um prémio de revelação. Posteriormente, começou a trabalhar no New York Times e no Chicago Tribune. Visto do Céu, no original The Lovely Bones, o seu primeiro romance, tem sido celebrado como um potencial clássico. Com mais de um milhão e 300 mil exemplares vendidos em dois meses, nos Estados Unidos, esteve cinco meses em primeiro lugar na lista dos títulos mais vendidos do New York Times. Já foi traduzido em dezoito línguas e Peter Jackson, o produtor da trilogia O Senhor dos Anéis, comprou os direitos cinematográficos. https://www.wook.pt/autor/alice-sebold/19960



                                                                                                    Célia Gil

sábado, 20 de janeiro de 2018

um lugar mágico

Célia Gil

Tamaro, Susana (2008). Um lugar mágico. Lisboa: Editorial Presença.


         Neste romance de literatura juvenil, somos transportados para um lugar verdadeiramente mágico, criado quando alguém desejara viver em paz, enquanto uma estrela cadente atravessava o céu.
         Neste lugar mágico, vivia um rapaz chamado Ricky, que fora abandonado dentro de um caixote no lixo e fora recolhido pela loba Guendy, que o criara como seu filho. Ricky crescera como um lobo, sentia-se verdadeiramente um lobo. Passava muito tempo com a sua amiga Ursula, uma macaca que o aconselhava.
         Mas a magia dura até ao momento em que o homem resolve invadir este paraíso terrestre. Nesse momento, não só terminou a tranquilidade mágica, como a crueldade levou à morte de Guendy e de muitos outros animais. Ulderico Pançudo, o futuro presidente da Câmara, capturou Ricky.
         No dia em que Ulderico deu uma festa para celebrar a sua eleição à presidência, Ricky ouviu uma conversa entre ele e Sua Moleza Imunda Almôndega I, onde expunham o seu plano de modernização, onde não havia espaço para plantas e animais, onde as crianças passariam a ser formatadas pela televisão e o planeta passaria a ser um monte de cimento coberto de Super-Mega-Hiper-Mercados, televisões e antenas parabólicas. Ricky, perante isto, fugiu e acabou por encontrar a gata Dodó da senhora Cipolloni, a única senhora que tinha um jardim e uma gata e que, por isso, era mal vista por todos os habitantes, que concordavam que era um inimigo a eliminar.
         Recebido com carinho pela senhora Cipolloni, esta ajudou-o a esconder-se de Ulderico. Quando viram passar dezenas e dezenas de crianças, de olhar vazio, com olhos quadrados, onde se refletiam os ecrãs das televisões, aceitaram a sugestão de Dodó, de infiltrar Ricky no cortejo de crianças, para descobrir os planos maquiavélicos de Ulderico. Foi assim que a senhora Cipolloni arquitetou um plano para devolver a paz e a harmonia à cidade. Terá ela conseguido? Será que Ricky foi descoberto no meio dos meninos? Terá ficado a saber o que aconteceu à sua amiga Ursula? E qual era verdadeiramente o plano de Ulderico?

         Uma leitura ligeira, mas muito envolvente, onde estas personagens poderiam muito bem ser transpostas para a atualidade, na qual a tecnologia e modernização dominam o ser humano, que vai perdendo os seus pequenos lugares mágicos. Porque, quando se perde a magia, os olhos ficam vazios, sem sonhos, como os destas crianças.

Susanna Tamaro nasceu em Trieste, Itália, no ano de 1957. Formou-se em Realização no Centro Experimental de Cinematografia de Roma. Durante dez anos trabalhou para a televisão como realizadora de documentários científicos. Atualmente, é uma das escritoras italianas mais conhecidas e aclamadas em todo o mundo, e o conjunto da sua obra, que inclui títulos bem conhecidos do público português - Vai Aonde Te Leva o Coração, Com a Cabeça nas Nuvens, Para Uma Voz Só, Escuta a Minha Voz ou Regresso a Casa - vendeu vários milhões de exemplares à escala mundial. (http://www.bulhosa.pt/livro/um-lugar-magico-ou-como-salvar-a-natureza-susanna-tamaro/)



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Livro da vida

Célia Gil
Quando eu deixar de me importar
e tudo me for indiferente,
serei apenas mais um livro a fechar
uma história que se encerra para sempre.

Por agora quero tudo absorver,
todas as emoções de cada fragmento.
Não deixar nenhum capítulo por viver
e ser genuína como o vento.

Nesta grande biblioteca, que é a vida,
quero ser um livro repleto de histórias.
Numa estante grande e bem colorida,
quero fazer brilhar as minhas memórias.
                                                         Célia Gil

domingo, 10 de dezembro de 2017

Pensamentos

Célia Gil
Os pensamentos que me habitam
vagueiam, incontroláveis,
são pensamentos que gritam
em ouvidos insondáveis.

São pensamentos soltos,
sem dono ou razão,
vagueiam como loucos
à procura de explicação.

Não os controlo como queria,
não os entendo, nem os domo.
Saem de mim em romaria,
em cada dia que somo.

livres, enigmáticos, impenetráveis,
soltam-se numa corrida,
numa torrente, incontroláveis,
nesta prisão que é a vida.

Mas logo volto a mim,
os encarcero no fundo da mente.
Não os posso deixar andar assim
tão livres, livremente.

Queria eu, se dona fosse da razão,
conseguir domar o pensamento,
mas este meu louco coração
só tem ouvidos de vento!

                                     Célia Gil









segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Célia Gil
Hoje trago uma proposta de leitura, que me tem absorvido inteiramente neste mês. Intenso, dramático, verídico são alguns dos adjetivos com que ouso classificar este romance histórico.

Zimler, Richard (1996).O Último Cabalista de Lisboa. Lisboa: Livros Quetzal.
  
O Último Cabalista de Lisboa baseia-se num acontecimento verídico (o que faz com que a sua mensagem se torne mais forte e pesada, levando o leitor a uma grande repulsa por determinados acontecimentos), um grande massacre de cristãos-novos e judeus, ocorrido em Lisboa, no reinado de D. Manuel, em 1506, na Páscoa judaica. Os frades incitavam o povo à matança, acusando os cristãos-novos de serem responsáveis pela ira de Deus que terá causado a fome e a peste que assolavam a cidade. O rei foi complacente com os acontecimentos, permitindo inclusivamente grandes fogueiras no Rossio, onde muitos judeus foram queimados.

Berequias Zarco, sobrinho e discípulo de Abraão Zarco (iluminador e membro respeitado da célebre escola cabalística de Lisboa), encontra mortos o tio e uma jovem desconhecida, na cave que servia de templo secreto desde que a sinagoga fora encerrada pelos cristãos-velhos. Um valioso manuscrito também desapareceu do seu esconderijo. Estarão os dois incidentes relacionados? Terá sido um cristão ou um judeu, como os indícios fazem crer, a assassinar o tio? Quem será a rapariga morta?  É  pela voz de Berequias, narrador e protagonista da obra, que somos conduzidos numa investigação impressionante, policial e histórica, durante a qual Berequias enfrenta vários perigos, pondo constantemente em risco a sua própria vida. As investigações de Berequias levam-no a descobrir que o tio, pressagiando a violência que se abateria sobre os judeus portugueses, se dedicava a fazer sair do país, através de uma rede de passadores clandestinos, importantes manuscritos para a fé hebraica. Para confirmar as suas suspeitas, precisava encontrar a última Haggada (livro hebraico) de seu tio, desaparecida. Também nos sonhos premonitórios que vai tendo, o tio lhe aparece constantemente, dizendo-lhe frases enigmáticas, que o ajudarão a encontrar coragem para não desistir da vingança a que se propusera (por ex: “Lembra-te: a nossa sombra é a tua luz. A nossa maior simplicidade é o teu maior paradoxo. Escuta, Berequias. Não deves nunca enviar as tuas iluminuras por um portador que não seja capaz de se reconhecer a si próprio ao espelho de um dia para o outro.”- pág.147 e “Caro Berequias, a vida propõe-nos muitas veredas que não levam a lado nenhum, portas que se abrem sobre meros abismos, escadas que sobem até portões fechados a cadeado. ” – pág. 226 ).
Uma realidade cruel, exposta através de uma linguagem que não suaviza essa realidade, mas que, pelo contrário, a mostra de tal forma chocante e direta, que o leitor se vê no meio de uma barbárie que faz estremecer e, ao mesmo tempo, imaginar estes tempos tão negros da História - o fanatismo, a frieza, o ódio, a violência, a crueldade total que se propagava em Portugal. Muitos destes judeus tinham sido expulsos de Castela, em 1492, pelo rei D. Fernando (cognominado O Católico). Mas não é a paz que eles encontram em Portugal. É a insanidade total de um ódio tão cego quanto inexplicável.
É igualmente incrível a amizade que une Berequias e Farid (um muçulmano). Uma amizade muito intensa, que mostra ser possível a boa convivência entre judeus ou cristãos-novos (aqueles que haviam sido forçados à conversão) e os mouros, em oposição ao fanatismo e violência demente dos cristãos.
Berequias não descansa enquanto não descobre o assassino de seu tio. Quem terá tido a ousadia de matar Abraão? Provavelmente, quem menos se espera…
Teria o tio pensado que Berequias poderia ser o salvador bíblico? E responde a esta pergunta, afirmando “A resposta está nas vossas mãos: acho que meu tio pressentiu que só o pesadelo da sua morte me poderia levar a escrever este livro que vós agora ledes. Que só a sua partida violenta da Esfera Terrena poderia mostrar-me que o nosso futuro na Europa estava acabado. Que só a mais terrível das tragédias poderia convencer-me a pedir a todos os judeus…que partissem para  onde estivéssemos a salvo da Inquisição ou de quaisquer outros horrores que os reis cristãos pudessem algum dia vir a conceber contra nós. ” – pág. 311.

Publicado originalmente em Portugal, O Último Cabalista de Lisboa é um extraordinário romance histórico, que catapultou o seu autor para um sucesso internacional, tendo sido publicado em toda a Europa, nos Estados Unidos e Brasil, onde depressa se tornou um bestseller.



domingo, 26 de novembro de 2017

Histórias antigas

Célia Gil


Por detrás daquela porta,
no sofá do aconchego,
há histórias que ficaram
como o nosso segredo.
São histórias reais,
feitas de vida e suor,
com peripécias tais...
Histórias de morte e de amor.
Vidas que superaram
as humanas expetativas.
Vidas que se cruzaram
em tristezas consentidas.
Almas que a amar
se afastaram.
Almas que afastadas
se amaram.
E eu, aconchegada
numa manta embrulhada,
vou deixando projetar
nas brancas da minha mente
histórias feitas de amar,
histórias de antigamente.

                                      Célia Gil

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Dragão

Célia Gil
     Estou triste, muito triste. Perdi o meu amigo, companheiro e fiel cãozinho Dragão. Um amigo que fazia parte da família há treze anos. É muito triste. Os animais têm uma vida demasiado breve para o amor que dão e a companhia que fazem. 

     Não escolhi o Dragão, foi ele que me escolheu. Passo a explicar: certo dia, entrei numa loja de animais para comprar comida para os peixes que tinha. Nunca tinha tido vontade de ter um cão. Era algo em que nunca tinha pensado, se bem que os meus filhotes, na altura pequeninos, me pediam para ter. Nesse dia, ao entrar na loja, onde havia mais clientes, estava um cãozinho solto pela loja. De imediato se acercou de mim e já não me largou. O Dragão escolheu-me para ser sua dona.
     Fiz uma surpresa aos meus filhos, tanto que o mais novo, quando viu o cãozinho, que parecia um peluche pequenino, em casa, me disse "tão giro, um cão a pilhas! Podes desligar mãe!". Nunca pensou que eu pudesse arranjar mesmo um cão a sério. Quando se apercebeu de que era verdadeiro, nunca mais o largou. Os meus filhos foram, sem dúvida, mais felizes com o Dragão. Um cão ensina muito. Ensina a perdoar, a amar, a respeitar. Nunca o deixamos, levamo-lo sempre connosco em todas as férias, para onde quer que fossemos. Escolhi sempre casas ou hotéis que permitissem a presença de animais, nem que fosse mais caro. Fomos muito felizes com ele e penso que ele também foi muito feliz.  connosco. Um animal humaniza-nos e torna-nos mais compreensivos. Faz-nos sentirmo-nos sempre amados. Sempre ansiando o nosso regresso a casa em cada final de dia de trabalho, sempre satisfeito por nos ver, sem nos fazer exigências, sem amuos, sem reclamações. Numa entrega total.

     O Dragão foi um cão muito querido, sempre a proteger os meus filhos, muito individualista, muito esperto, mas também afetuoso, e querido. Raramente ladrava. Com a patinha, chamava-nos para pedir água, comida ou para ir à rua.

     Ficarás, Dragão, para sempre na nossa memória.




domingo, 12 de novembro de 2017

outono da vida

Célia Gil


Quem está por detrás desta folha
amarelecida pelo outono?
Nada, nada existe atrás da folha
em que escrevo
o outono da minha vida.
Talvez um imenso vazio,
talvez todas as perdas de mãos dadas,
talvez a indiferença a ser indiferente
sem me ver, sem sequer se importar.
Estará, com toda a certeza,
um outono que pesa nos ombros,
um frio que se adentra pelos olhos
e os deixa imóveis, petrificados,
à espera do inverno que leve
a breve folha leve.
                                               Célia Gil

sábado, 4 de novembro de 2017

Bolo de laranja com calda

Célia Gil

Ingredientes:

200 g de manteiga
250 g de açúcar
6 ovos
300 g de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
1 laranja - sumo e raspa.

Calda de Laranja:
Sumo de 2 laranjas, ao qual se adicionam 50 g de açúcar. Vai ao fogão, até ter a consistência de uma calda.

Modo de Preparação:

Numa tigela, misture bem a manteiga com o açúcar, até ficar um creme esbranquiçado, onde o açúcar esteja totalmente desfeito.

Nesse momento, junte as gemas, mexendo bem. Acrescente o sumo e a raspa da laranja.
Adicione lentamente a farinha com o fermento, envolvendo-os no preparado anterior.

Junte as claras em castelo, envolvendo-as cuidadosamente.

Coloque o preparado numa forma previamente untada com manteiga e farinha e leve ao forno cerca de 40 minutos, a 180 graus.

Desenforme e verta a calda sobre o bolo.

BOM APETITE!



terça-feira, 31 de outubro de 2017

Reflexão

Célia Gil

Não somos nada, nunca tenhamos pretensões de o ser. Estamos sós quando mais precisamos, ainda que rodeados da gente de  "a mim a mim".  Em último lugar... Remetemo-nos para último lugar... De resto, somos sombras de gente que desconhecemos. Escombros postos de lado, sem credibilidade. Vivemos uma vida que não é nossa, que não é a dos contos de fadas. A indiferença, a incompreensão pautam, de dia para dia, cada vez mais, a nossa vida. É fácil apontar o dedo em riste e atirar culpas, difícil mesmo, é a preocupação advinda do carinho, aquele que não pede nem exige satisfações, apenas compreende...
                                                                                                                  Célia Gil

sábado, 28 de outubro de 2017

Flores, de Afonso Cruz

Célia Gil


Cruz, Afonso (2015). Flores. Lisboa: Companhia das Letras.

Este livro chama-nos de imediato a atenção pela própria capa – as flores azuis, símbolo da eternidade, captou-me e motivou-me para a sua leitura.
Depois de ler Os Livros que Devoraram o meu Pai, fiquei curiosa em ler mais livros deste escritor. E foi assim que, e aproveitando uma das frases mais proferidas no livro, entrei “mais dentro na espessura”.
Numa linguagem poética e fluída, somos conduzidos à história de um homem, que se encontra numa fase difícil da sua vida – divórcio, distanciamento da filha – resultante, também, da sua própria maneira de ser, ao alhear-se de algumas situações que o rodeiam e da sua própria vida. Acaba por constatar que a relação com a mulher falhou, porque já só se beijam “como quem faz a cama” e os beijos “sabem à rotina, às finanças, ao barulho da máquina de lavar a loiça”.
Sem conseguir resolver os seus problemas e talvez até para fugir deles, decide ajudar um vizinho, o Sr. Ulme, a recuperar as memórias perdidas, em virtude de uma doença degenerativa, após ter sido operado a um aneurisma.
Enquanto se embrenha na recuperação das memórias de Ulme, junto de pessoas que o conheciam, com a ajuda da filha, que sente uma grande amizade por Ulme, faz por esquecer e ultrapassar os seus próprios problemas. No fundo, ele e Ulme são duas pessoas perdidas no mundo e a precisar de companhia.
Acaba por perceber que a vida é efémera e que, à medida que passa, se vai perdendo a própria razão de existir e até mesmo a existência. Urge, por isso, recuperar a capacidade de acreditar no futuro e de lutar pelos próprios sonhos. O futuro não é uma construção do passado, não há “armas capazes de disparar um futuro”. O que se perde, custa a recuperar, até porque a pessoa que viveu essas perdas, se vai transformando e tem de enfrentar as mudanças para poder habituar-se a viver com elas, a ser feliz para além delas.
São personagens muito atuais e é tecida uma crítica a esta realidade presente, em que as pessoas se perdem nas teias da rotina (que acaba por funcionar como um ladrão de amor), nas relações conjugais, familiares e, até, no amor-próprio.
Acabam por recordar apenas os momentos especiais, os que não foram consumidos pela rotina.
A morte iminente tem o poder de conferir sentido à vida, tornando as vivências mais intensas, criando a vontade de mudar, de lutar diariamente.
Vale a pena viajar “mais dentro na espessura” e conhecer estas personagens, que têm sempre algo para nos ensinar.
Deixo uma passagem do livro, sem dúvida aliciante:
“As mães são as fiéis depositárias da nossa infância, dos primeiros anos. As tuas memórias mais importantes, mais formadoras, não são tuas, são dela. E quando a tua mãe morrer, levará consigo a tua infância, perderás os primeiros anos da tua vida. Por isso trata-a bem” (pág. 80).
Vale a pena! Penetrem “mais fundo na espessura”!
                                                                                                                Célia Gil



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Deixar de ser

Célia Gil

No dia em que te esqueceste
de quem eu era, quem te era,
senti fugir o chão que me deste
e destruir-se toda a quimera.

A tua voz passou a ser vazia,
oca de histórias e de momentos,
uma voz sem contorno e vadia,
uma voz que não lê os pensamentos.

O teu sorriso também deixou de ser,
nos teus olhos já não moram ilusões,
quem te conhece há de compreender
o vazio em que vivem as tuas emoções.

Já não lês os sentimentos que me tomam,
não afloras os problemas, que desconheces.
E os dias são dias que apenas somam
horas e minutos de que logo te esqueces.

Passa a vida, a teu lado, ombro a ombro.
Tu olha-la de soslaio sem a reconheceres,
e todas as histórias que viveste são escombro
que olhas sem veres e sem entenderes.

E como criança outra vez nascida,
sucumbes ao carinho que ainda te acalenta.
És uma gaivota do ninho perdida,
numa noite sem céu e nevoenta.
   
                                                 Célia Gil






segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Grito de desespero

Célia Gil

Tanta maldade!
Há dias em que os nossos olhos choram o que a boca não ousa falar. É tão duro ver o meu país, assim, a debater-se, em vão, contra as chamas. Fico muda, petrificada e queimada por dentro. As imagens irrompem com tal força pelas minhas retinas dentro, que engasgam soluços, contorcem artérias, arrepiam o coração, trespassam a alma, ficam marcadas para sempre. 
Como é possível?
Quem é capaz de matar? Matar a natureza, que todos os dias nos presenteia com a sua beleza?
Matar os animais que por ali correm, esbaforidos e presos nas chamas?
Matar sonhos, de quem investiu uma vida inteira nas terras, nas casas, nas máquinas agrícolas e tantas outras coisas ardidas, perdidas?

Sonhos petrificados em rostos de dor, num baixar de braços ante a impotência que derrota a esperança!

Incendeiam-nos a esperança. Matam-nos os sonhos, a força, a coragem, a vontade.

Matar pessoas, PESSOAS! ANIMAIS! SERES VIVOS!

Como é que alguém é capaz de pôr fogo, depois de tantas calamidades?
E ficar indiferente...Em prisão domiciliária, a aguardar um julgamento que os deixa em liberdade... 
Então são doentes, são capazes de matar, porque são doentes...Mas dormem, conseguem fechar os olhos, à noite e repousar.
Quem, com cancro terminal, pensa em matar alguém? E isso, sim, é uma pessoa verdadeiramente doente e desesperada!
Se é loucura, se é demência, há que tratá-la. Mas não é deixando para depois, não é libertando, para voltarem a fazer o mesmo, vezes sem conta! 
Para quando? Para quando a prevenção? A prevenção não está apenas nas matas, a prevenção está na educação, no internamento, na terapia, na prisão! Não é possível deixar em liberdade, alguém que incendeia, porque foi traído pela mulher, alguém que incendeia, porque precisa de adrenalina, alguém que incendeia, para ganhar milhões com os incêndios! Esta é só mais uma forma de deixar andar... A prevenção e a resolução dão, provavelmente, muito trabalho e pouca adrenalina!!!

Matar? Há em qualquer dessas situações que mencionei, uma justificação para matar? Para destruir o nosso país? 
NADA justifica, NADA penaliza, NADA se faz e tudo continuará até Portugal estar completamente negro, mais do que já está.

Negro por fora, negro por dentro das almas que choram esta desgraça.

Apesar de alguns morrerem fisicamente, todos morremos um pouco por dentro. Já diz o ditado popular "Elas não matam mas moem". Bem verdade! Quem, digno, não se sente morrer a cada dia, a cada incêndio, a cada destruição? Quem não se sente impotente, chocado, abalroado com a realidade tão dura que nos sufoca a cada nova notícia, a cada nova imagem?

MORREMOS, morremos todos, quando nos morre o nosso país, quando nos morre a nossa gente!
                                                                                                                                              Célia Gil

sábado, 14 de outubro de 2017

Maravilha de framboesa

Célia Gil


E, apesar de já termos entrado no outono, o calor continua a fazer-nos companhia, pelo que ainda é possível apanhar muitas framboesas maduras e suculentas. 

Inspirada neste fruto, fiz uma sobremesa, que vou partilhar, porque, além de muito fresca, é igualmente saborosa e fácil de fazer.

Adiciona-se a 5 colheres de farinha maisena um pouco de leite. Mexe-se muito bem. Adiciona-se o restante leite até perfazer um litro. Juntam-se duas latas de leite condensado. Mexe-se bem e vai ao lume, mexendo sempre, até ficar em ponto de pudim.
Quando estiver morno, adiciona-se um pacote de natas batidas. Vai ao frigorífico refrescar.

Entretanto, faz-se uma gelatina instantânea de framboesas.

Quando estiver frio, colocam-se as framboesas (estas foram acabadinhas de colher!)

Entorna-se a gelatina já fria, com cuidado. E vai refrescar! Uma delícia!






sexta-feira, 13 de outubro de 2017

livro O Amor nos Tempos de Cólera

Célia Gil
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O Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel García Márquez

   É um romance em que a história de Fermina Daza e Florentino Ariza surge contada através de uma grande analepse e comprova que o amor pode existir até à morte     como uma promessa adiada, mas inevitável, apesar das contingências, das fatalidades e do envelhecimento das personagens. Estas são muito bem construídas e credíveis, prendendo-nos desde o primeiro momento. Fermina exale sensualidade, distinção e caráter.
   Fermina, conquistada pelo romantismo de Florentino, por meio de súplicas, músicas tocadas no seu violino, flores, poemas líricos, sofre quando o pai decide afastá-la deste amor imprudente. Quando regressa e reencontra Florentino, pondera se realmente o ama ou se criou dele uma imagem que não existia, pois não sente a mesma atração de antes. Acaba por casar com o médico Juvenal Urbino, com quem vive uma vida inteira e com quem é feliz.
   Pelo meio desta relação e das aventuras amorosas de Florentino, ou a traição de Urbino com uma morena estonteante, ocorrem encontros casuais, em que Fermina se mostra altiva e, aparentemente, o ignora. Florentino, neste seu amor platónico não correspondido, envolve-se com várias mulheres, sem nunca pôr de parte uma futura relação com Fermina.
   Quando Urbino morre, ao tentar apanhar o papagaio que lhe fugira para a mangueira, Florentino volta a acreditar que ainda poderá resgatar o amor, malgrado toda uma vida que já passou e a sua condição irremediável de velhos. Depois de conseguir que ela o aceitasse em sua casa, em encontros de amigos, em longas conversas, em novas cartas, em esperas indefinidas, consegue convencer Fermina a fazer uma viagem nos barcos fluviais, onde acabou por enriquecer para a conquistar. Constituirá esta viagem a concretização deste amor que os acompanhou ao longo de uma vida? Não serão demasiado velhos para viver umas núpcias? Até onde poderá ir a obsessão de amor de Florentino?
   Vale a pena ler este romance pautado pelo sentido de humor, pela poesia, pelo realismo, pelo ritmo alucinante, porque constitui, com efeito, um hino à vida e ao amor.

Gabriel García Márquez nasceu em 1927 em Aracataca, no México. Terminando os seus estudos secundários, ingressou no curso de Direito da Universidade de Bogotá, mas não o chegou a concluir. Fascinado pela escrita, transferiu-se para a Universidade de Cartagena, onde recebeu preparação académica em Jornalismo. Publicou o seu primeiro conto, "La Hojarasca", em 1947. No ano seguinte, deu início a uma carreira como jornalista, colaborando com inúmeras publicações sul-americanas. No ano de 1954 foi especialmente enviado para Roma, como correspondente do jornal El Espectador mas, pouco tempo depois, o regime ditatorial colombiano encerrou a redação, o que contribuiu para que Márquez continuasse na Europa, sentindo-se mais seguro longe do seu país. 
Em 1955 publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de contos, "La Hojarasca".
Em 1967 publicou a sua obra mais conhecida, o romance Cien Años De Soledad ("Cem Anos de Solidão"), romance que se tornou num marco considerável no estilo denominado como realismo mágico. Escreveu ainda El Otoño Del Patriarca (1977); Crónica De Una Muerte Anunciada (1981, "Crónica de uma Morte Anunciada); El Amor En Los Tiempos De Cólera (1985, "Amor em Tempos de Cólera"), El General En Su Laberinto (1989). Em 2003, as Publicações D. Quixote editam, deste autor, Viver para Contá-la, um volume de memórias de Gabriel García Márquez, onde o autor descreve parte da sua vida. Gabriel García Márquez foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1982. 
Morreu a 17 de abril de 2014, aos 87 anos, em sua casa na Cidade do México, ao lado da mulher Mercedes e dos seus dois filhos.


                                                                                                          Célia Gil

domingo, 8 de outubro de 2017

A vida sempre surpreende

Célia Gil


Nos confins ignotos da humana mente
sempre se consegue surpreender
mesmo quem incrédulo possa ser
porque é assim, a condição de gente.

Cada dia uma página se vira,
escrita em linhas travessas do ser
linhas nas quais ousa permanecer
a vida sem se consumir pela ira.

Seguimos, cada dia, renovando
a existência, com novo fulgor.
Novos conceitos que, improvisando,

lhe vão conferindo novos sentidos
insuflados de todo um esplendor
em etéreos futuros prometidos.

                                                   Célia Gil




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Mulher que Decidiu Passar um Ano na Cama

Célia Gil

Com um fim de semana maior, em virtude do feriado, nada como aproveitar para ler! Hoje trago uma proposta divertida, para relaxar e dar umas boas gargalhadas!

Townsend, Sue (2012). A Mulher que Decidiu Passar um Ano na Cama. Editorial Presença: Lisboa.



Neste livro de ficção para adultos, a protagonista, Eva, quando os gémeos entram para a Universidade, ficando longe de casa, sobe as escadas que a levam ao seu quarto e decide passar um ano na cama. Provavelmente, é o que apeteceria a muitas mulheres que se veem anos a fio confrontadas diariamente com as lides domésticas, com as decisões mais importantes, a casa, o marido e os filhos para cuidar.
E quando se toma uma decisão destas, quem cuida dela? Os gémeos, que nunca foram meigos, que vão a casa contrariados e para quem os pais têm imensos defeitos? O marido, um astrónomo que se preocupava com o sistema planetário e tinha uma amante? A sogra, que acaba por morrer vítima de tabagismo (ao desequilibrar-se quando tentava chegar a um maço de cigarros), a mãe, que vai ficando cada vez mais esquecida? Quem passará a cuidar de Eva? Como reage o marido ao facto de já não ter quem lhe passe as camisas ou faça o jantar? Quem vai tratar da casa?
E quando começa a circular, pela população, que Eva é etérea, tem poderes extrassensoriais, é uma santa, cercando-lhe os fãs a casa, para serem ouvidos e aconselhados por ela, como é que ela reage? Responderá ela a dezenas de cartas que recebe dos seus fãs todos os dias?
O que aprende Eva durante todo o tempo que passa na cama? Esta doença autoinfligida durará até quando? Conseguirá Eva o que pretendia? Será que pretendia alguma coisa?
Um livro através do qual se faz uma crítica às relações familiares, de forma tão hilariante que o leitor pode preparar-se para dar por si a soltar umas valentes gargalhadas.

Sue Townsend foi autora de vários livros e peças teatrais, mãe de quatro filhos, assistente social e bolseira da cadeia de televisão "Thames TV".
Quando, aos 36 anos, escreveu o Diário Secreto de Adrian Mole, não concebeu o sucesso que viria a alcançar, não só em Inglaterra, como em quase todos os países da Europa e até no Japão.
Para além dos 6 volumes da série Adrian Mole, publicou A Rainha e Eu e Número Dez. Morreu a 10 de abril de 2014.

domingo, 1 de outubro de 2017

Do leitor ao escritor

Célia Gil

Um leitor, no verdadeiro sentido da palavra, é o leitor que compreende, interpreta e intervém, que é consciente e livre. E é a leitura que lhe permite desenvolver o domínio da linguagem (...).
A originalidade do escritor não nasce consigo, ainda que possa existir uma aptidão pela escrita. Um escritor tem de ser crítico, ao ser o primeiro leitor do seu próprio texto (...), ousar pôr em causa o que se decide a escrever; pesquisar, para confirmar e ser o mais fidedigno possível; questionar o que diz e por que diz; observar com perspicácia, para poder relatar, ainda que possa recriar; ser convicto de que consegue ultrapassar obstáculos e alcançar o objetivo a que se propôs; ser obstinado, para não desistir, para não se deixar levar pela inércia e pela derrota de um livro inacabado e, por último, trabalhar incansavelmente no seu projeto (...). 
O escritor é aquele que escreve com prazer e que se distingue do autor, o profissional que dá a conhecer a sua obra e se vai esquecendo de que foi, antes de ser um autor, um escritor (...). 
Para chegar ao leitor, o escritor precisa de ser criativo, crítico e ativo, sem deixar de escrever com autenticidade, havendo, para tal, também a necessidade de uma boa seleção de fontes. Até porque o escritor precisa de ter em consideração a existência de diversos tipos de leitor – aquele que lê poucas páginas, porque de cada vez que lê, a sua mente vagueia, acabando por afastar-se do livro; aquele que lê atentamente, detendo-se nos mais ínfimos pormenores, considerando-os todos preciosos, e relê para encontrar ideias escondidas nas entrelinhas; aquele que relê os livros, encarando esta releitura como a primeira vez, pois continua a deslindar emoções e acontecimentos novos e que, ao reler consegue aumentar a distanciação crítica; o leitor que considera que cada livro que lê faz parte do grande livro único que constitui o conjunto das suas leituras; o leitor que entende que o livro único é o que existe para além do tempo, procurando em cada leitura o livro da sua infância, que não é fácil de encontrar; o leitor que se detém sempre antes no título, na capa, no início do livro, para o qual mais importante que a leitura é a promessa da leitura; aquele para o qual o mais importante é o que está para lá do final do livro e que ele procura desvendar. São tantos os tipos de leitor, que nem sempre é fácil escrever para um em específico. Às vezes, o próprio escritor fica surpreendido com os tipos de leitor que consegue captar para a leitura do seu livro. Por isso, o escritor tem sempre a aprender com o próprio leitor, que lhe vai dando indicações do que gosta, como gosta e porque gosta (...).
Em suma, não basta querer ser-se escritor, é preciso ser-se empenhado, crítico, ter em conta o leitor a quem se pretende chegar (sem contar aquele a que pode chegar sem que tenha sido previsto), sem desistir do seu sonho de escrever, mas investindo nesse sonho com paixão, dedicação e persistência. 


                                               In O Sonho no Texto Poético de Expressão Portuguesa, Célia Gil

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